O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), saiu em defesa da estratégia do senador Flávio Bolsonaro de ficar fora dos debates entre os candidatos à Presidência da República no primeiro turno. Para Abilio, entrar agora em confrontos diretos com adversários pode prejudicar o presidenciável em uma eventual disputa final, quando precisará buscar o apoio dos eleitores e de lideranças dos candidatos derrotados.
Na avaliação do prefeito, Flávio Bolsonaro não deve participar dos primeiros debates justamente para evitar embates que possam dificultar futuras alianças. Segundo ele, a prioridade do senador deveria ser preservar pontes com os demais nomes do campo político e concentrar esforços na construção de apoio para um eventual segundo turno.
“Eu acho que ele está certo de não participar desses primeiros debates. Muitos dos que estão ali estão buscando o ataque, e o Flávio Bolsonaro vai precisar do apoio dessas pessoas no segundo turno”, afirmou.
Abilio argumentou que, ao dividir o palco com outros candidatos, Flávio teria de responder a ataques e também confrontar adversários que poderão se tornar aliados em uma segunda etapa da eleição.
Para o prefeito, a ausência dos debates pode permitir que o senador mantenha um canal aberto com diferentes eleitorados e incorpore propostas defendidas pelos demais candidatos.
Abilio citou, por exemplo, pautas relacionadas aos neurodivergentes e ao autismo apresentadas durante o debate por Augusto Cury, a quem se referiu também como Augusto Nury em outro momento da declaração, e afirmou que propostas consideradas positivas poderiam ser absorvidas por Flávio Bolsonaro em uma eventual composição no segundo turno. Ele também mencionou ideias defendidas pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema.
“Existem outras propostas interessantes. Essas propostas apresentadas pelos candidatos poderão ser absorvidas no segundo turno”, disse.
O prefeito avaliou ainda que a disputa presidencial tende a se concentrar entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, os dois estariam em patamares próximos nas pesquisas e, em um eventual segundo turno, a maior parte dos eleitores dos candidatos derrotados poderia migrar para o senador.
Abilio afirmou acreditar, por exemplo, que os eleitores de Romeu Zema teriam maior tendência de apoiar Flávio Bolsonaro do que Lula em uma segunda rodada.
“Chegando no segundo turno, a tendência é que esses eleitores direcionem o voto para o Flávio Bolsonaro, potencializando o nome dele e fortalecendo uma possível vitória”, declarou.
Durante a entrevista, Abilio também fez ataques a outros candidatos que participaram do debate, afirmando, sem apresentar provas, que alguns deles poderiam não passar em um teste toxicológico. Ele citou nominalmente o senador Renan Calheiros e fez ainda referência, sem mencionar o nome, a um candidato ao Governo de Mato Grosso.



