CASO MASTER
“É só um malandro se dando bem em Brasília”, dispara Medeiros contra Alexandre de Moraes
Muvuca Popular
O senador José Medeiros (PL-MT) chamou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “malandro” ao comentar os novos desdobramentos do caso Banco Master. O parlamentar comparou as informações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro com a postura adotada pelo magistrado nos julgamentos dos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro.
“Um cara que não tinha a menor dificudade de se colocar como a verdade e a honestidade em pessoa. De repente, a gente vê que ele é só um malandro se dando bem em Brasília e usando o poder que tinha como plataforma de ataque aos seus inimigos e adversários políticos”, declarou Medeiros.
Durante a fala, o senador citou a condenação de Débora Rodrigues dos Santos, que escreveu “Perdeu, mané” com batom na estátua da Justiça durante os atos de 8 de Janeiro. Para Medeiros, o rigor empregado pelo ministro no julgamento contrasta com as informações que agora vêm sendo divulgadas sobre as relações mantidas por Vorcaro em Brasília.
“O que me deixa abismado não é isso, porque eu já vi muitos escândalos em Brasília, mas o fato de um cidadão que, até pouco tempo, se mostrava o maior vestal da República, o cara que condenou uma mulher a 14 anos porque ela escreveu ‘Perdeu, mané’ em uma estátua”, afirmou.
Medeiros também criticou o que considera uma aproximação indevida de integrantes do STF com disputas políticas e eleitorais. Segundo ele, tornou-se comum tratar com naturalidade a existência de adversários políticos entre ministros da Suprema Corte. O senador mencionou ainda a atuação do ministro Flávio Dino em processos relacionados ao Maranhão.
“É um horror a gente estar falando com tanta normalidade que um ministro venha a ter adversário político. Do jeito que está hoje a nossa Suprema Corte, ministros vieram para a seara eleitoral. Lá no Maranhão, quem está conduzindo o processo é o ministro Flávio Dino, onde o pau está cantando em cima dos seus adversários”, disse.
Apesar das críticas, o parlamentar reconheceu que nem todas as relações mantidas pelo banqueiro necessariamente configuram crimes. Ele mencionou informações discutidas na CPMI do INSS e afirmou que uma investigação mais ampla poderia alcançar diferentes instituições financeiras e autoridades.
“Nem todas as relações desse banqueiro foram criminosas. Na CPMI do INSS, nós tivemos materiais que mostravam que poderia haver uma hecatombe no sistema financeiro nacional em relação aos bancos. Então, o que ocorreu? Acabaram com a CPMI do INSS”, declarou.
Questionado se defendia uma “limpeza” nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, Medeiros afirmou que a principal oportunidade de mudança está nas mãos dos eleitores. Para ele, autoridades e agentes políticos deixam de agir uns contra os outros devido à existência de interesses compartilhados.
“É a teoria dos rabos, ou filosofia dos rabos. Ninguém larga o rabo de ninguém. Então, o eleitor precisa olhar o perfil, porque a coisa está em uma degradação total. Não tem mais a quem recorrer”, afirmou.
O senador também disse temer que André Mendonça seja alvo de represálias por sua atuação no caso Master. Medeiros comparou a possibilidade ao processo enfrentado pelo senador Sergio Moro (União-PR) na Justiça Eleitoral e à cassação do mandato do ex-deputado federal Deltan Dallagnol.
“Não duvide se eles não fizerem represália para cima do André Mendonça. O Moro foi por um bigode que eles não mandaram para a cadeia, mas conseguiram cassar o mandato do Deltan Dallagnol. Então, só cabe ao eleitor”, concluiu.



