SERVIDORES PÚBLICOS
Pivetta admite negociar passivo da RGA, mas alerta para dificuldade: “Tem que dizer de onde vai tirar”
Renato Ferreira
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) admitiu abrir uma negociação com os servidores públicos estaduais sobre os passivos da Revisão Geral Anual (RGA) acumulados no período da pandemia, mas deixou claro que o pagamento esbarra na disponibilidade financeira do Estado. Segundo ele, qualquer proposta terá de vir acompanhada de cálculos sobre o impacto nas contas públicas e da indicação de onde sairão os recursos.
Ao comentar as cobranças da categoria e as promessas feitas durante a campanha eleitoral, Pivetta afirmou que pretende colocar os números do Estado à mesa antes de assumir qualquer compromisso.
“Eu não estou dizendo que não vai ter a RGA. Eu estou dizendo que nós vamos sentar com os servidores para uma conversa transparente, séria. Porque, se falar que vai aumentar, isso tem impacto, tem custo. Tem que dizer quanto vai custar e de onde vai tirar”, afirmou.
O governador ressaltou que se refere especificamente aos passivos relacionados ao período da pandemia, quando uma legislação federal estabeleceu restrições ao aumento de despesas com pessoal. Segundo Pivetta, após esse período, o governo antecipou de maio para janeiro a concessão da revisão anual e acumulou reajustes de 34% nos salários dos servidores desde 2022.
“Eu estou falando da RGA do tempo da pandemia, que é o que se discute. Nós vamos conversar com os servidores. Eu tenho discutido isso com a Gisela, nós vamos conversar francamente, mostrar os números do Estado, abrir os números do Estado e encontrar soluções”, declarou.
Apesar do aceno à categoria, Pivetta evitou assumir compromisso com o pagamento integral dos passivos. Para ele, a discussão precisa levar em consideração que o orçamento estadual é limitado e que uma despesa adicional com pessoal pode afetar outras áreas.
Ao ser questionado sobre adversários que defendem o pagamento da RGA, o governador cobrou que as propostas indiquem a origem dos recursos necessários.
“Tem que explicar de onde vai tirar, porque o Estado tem um orçamento limitado”, disse.
Pivetta também colocou na balança os investimentos realizados pelo governo e questionou quais despesas seriam sacrificadas para bancar uma eventual recomposição.
“De onde vai tirar o recurso? Tudo bem. E aí, os investimentos? Vai continuar? Vai parar os investimentos? Vai parar de fazer as escolas? Vai parar de fazer os hospitais? Tem que ter explicação para tudo”, pontuou.
O governador ainda ampliou a discussão para o endividamento dos servidores públicos. Segundo ele, além da negociação sobre os passivos da RGA, será necessário enfrentar o peso das dívidas e dos empréstimos sobre a renda da categoria.
“O grande problema do servidor público hoje, não é só em Mato Grosso, é no Brasil, é o endividamento. Nós sabemos que o que mais aflige o servidor hoje é o endividamento e nós temos que pensar nisso também. Vai ter que ter uma solução no Brasil para o endividamento do servidor público”, concluiu.



