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CLIMA DE CONFRONTO

Pivetta diz que está em “campos opostos” de Wellington: “as pessoas conhecem o outro candidato”

Gustavo Castro e Renato Ferreira

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O governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição, afirmou que está atualmente em “campos opostos” do senador Wellington Fagundes (PL), seu principal adversário na disputa pelo Governo de Mato Grosso. A declaração foi dada nesta segunda-feira (7)  durante o desfile cívico de 7 de Setembro, em Cuiabá.

Ao comentar a possibilidade de ter Wellington como aliado caso seja eleito deputado federal e Pivetta permaneça no Palácio Paiaguás, o governador afirmou que a relação política poderá mudar após as eleições. Segundo ele, o que existe atualmente é um conflito circunstancial, provocado pelo acirramento da disputa eleitoral.

“Eu já disse: nada contra a figura do governador Wellington. Ele sabe muito bem: se não tivesse o atrito que tivemos com o Mauro Mendes, estaria tudo em paz. Mas foi muito radical. E aí, nós estamos em campos opostos momentaneamente”, declarou.

Na sequência, Pivetta afirmou que poderá haver convivência política após o pleito, caso ambos sejam eleitos para os cargos que disputam.

“Mas, a partir do ano que vem, se eu for eleito deputado federal e governador, vamos ter uma boa convivência a favor de Mato Grosso”, disse.

Apesar de falar em possibilidade de aproximação, Pivetta voltou a fazer críticas indiretas ao adversário ao ser questionado sobre o apoio de prefeitos e vereadores à sua candidatura. O governador afirmou que não tem pedido apoio político e que as adesões estariam ocorrendo de forma espontânea.

“É legal porque as pessoas, na medida em que vão me conhecendo, vão confiando e vão se aliando a mim. E as pessoas, justamente por conhecerem o outro candidato, é justamente por isso que não se aliam a ele”, afirmou.

Confronto nos debates

A declaração ocorre em meio ao aumento da tensão entre Pivetta e Wellington durante a campanha. Os dois vêm protagonizando confrontos diretos em debates e sabatinas, principalmente em torno da atuação do senador no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e de sua trajetória política em Brasília.

Em debate realizado pela Rádio Centro América, em 18 de agosto, Pivetta acusou Wellington de ter influência política sobre o DNIT e questionou sua atuação no órgão. O senador rebateu as críticas e defendeu sua trajetória parlamentar.

Já no debate da TV Vila Real, em 1º de setembro, o confronto voltou a subir de tom. Pivetta afirmou que Wellington havia exercido influência no DNIT durante diferentes governos federais e declarou que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria feito um “favor ao Brasil” ao retirá-lo do órgão.

No mesmo debate, os dois trocaram acusações sobre supostos problemas envolvendo o DNIT. Wellington também atacou Luiz Antônio Pagot, coordenador da campanha de Pivetta, citando seu passado no órgão.

A disputa chegou a envolver até a Justiça Eleitoral. Em agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso determinou que Pivetta retirasse das redes sociais um vídeo editado que, segundo a decisão, fazia parecer que Wellington havia associado o atendimento médico à população do interior a animais e zoonoses.

Apesar do histórico recente de ataques, Pivetta afirmou nesta segunda-feira que não vê impedimento para uma eventual composição política após as eleições. Ele citou como exemplo a relação com a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, de quem foi adversário político, mas disse continuar destinando recursos ao município.

“Política é uma coisa, administração e gestão é outra”, afirmou.

O governador também declarou que pretende manter uma postura partidária caso seja eleito deputado federal e Wellington esteja na mesma base política.

“Eu sou partidário. Se o meu partido estiver na base, eu vou estar na base”, disse.

Pivetta afirmou ainda que, durante a atual gestão, votou favoravelmente aos projetos encaminhados pelo governador Mauro Mendes à Assembleia Legislativa, embora tenha mantido divergências em alguns temas.

“Seremos trabalhando. O que interessa é Mato Grosso, é prosperidade”, declarou.

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