SESSÃO DO STF
“Brasileiro não sabe nomes três jogadores da Seleção, mas conhece ministros do STF”, diz Mauro
Muvuca Popular
O ex-governador e candidato ao Senado Mauro Mendes (União) defendeu uma investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), diante das suspeitas reveladas no caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Para Mauro, havendo indícios, não há justificativa para impedir a apuração.
“Qualquer brasileiro pode ser investigado, seja governador, seja ex-governador, seja presidente, seja juiz, desembargador, cidadão comum. Se há uma suspeita, você tem que investigar”, afirmou.
A declaração foi dada na véspera da sessão do STF que vai analisar o pedido relacionado à possível investigação de Moraes. O caso ganhou força após a Polícia Federal encontrar, no celular de Vorcaro, mensagens com referências ao ministro, além de documentos sobre contratos milionários firmados entre empresas ligadas ao Banco Master e o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes.
Na avaliação de Mauro, o material divulgado já justifica uma apuração aprofundada.
“Os fatos que foram tornados públicos nos últimos dias, além dos que já eram públicos, de contratos, etc., no mínimo merecem uma investigação com profundidade e uma resposta séria”, disse.
Ao comentar a sessão desta terça-feira (15), Mauro ironizou a repercussão do julgamento e afirmou que o STF passou a ocupar espaço excessivo no debate nacional.
“Amanhã vai ser um dia importante, deverá ter mais audiência essa sessão do STF do que tiveram os jogos da seleção brasileira”, declarou.
Segundo ele, a notoriedade dos ministros da Corte revela uma distorção no país.
“Se perguntar para os brasileiros o nome de três jogadores da seleção, é provável que a maioria não saiba. Agora, o nome dos ministros do STF, muita gente sabe, e isso mostra que tem algo de muito errado acontecendo nesse país”, afirmou.
Mauro também defendeu que o Supremo adote uma postura mais discreta e acusou a Corte de contribuir para o ambiente de conflito institucional.
“O Supremo tem que se colocar no seu lugar, tem que ter uma atitude mais low profile, ou seja, mais discreta, não tem que estar na mídia toda hora”, disse.
Caso Vorcaro
As suspeitas envolvendo Moraes surgiram após a análise de dados apreendidos pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, preso no âmbito das investigações sobre o Banco Master. O material reúne mensagens atribuídas ao ex-banqueiro nas quais há referências ao ministro e pedidos relacionados ao andamento de questões envolvendo o banco.
A investigação também identificou contratos entre empresas ligadas a Vorcaro e o escritório de Viviane Barci de Moraes. Um dos documentos previa pagamentos de R$ 3 milhões mensais durante 36 meses, totalizando R$ 108 milhões. O escritório afirma que o contrato efetivamente executado foi encerrado após a liquidação do banco e que outra proposta não chegou a ser aceita.



