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CONTRADIÇÃO

Wellington diz nunca ter recebido incentivo fiscal, mas empresas ligadas à família somam R$ 3 milhões

Muvuca Popular

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“Tenho as minhas empresas há mais de 50 anos e nunca recebi um real de incentivo fiscal e desafio qualquer um. Tenho indústria e comércio e comecei aos 22 anos de idade”. A afirmação feita pelo senador Wellington Fagundes (PL), candidato ao Governo do Estado, em entrevista à TV Centro América (Globo) nesta terça-feira, 15, não se sustentou por 24 horas.

Levantamento publicado nesta quarta-feira, 16, pelo jornal ‘A Gazeta’, aponta mais de R$ 3 milhões em benefícios tributários concedidos, entre 2019 e 2025, a empresas que o veículo relaciona ao senador e a familiares próximos.

Segundo ‘A Gazeta’, três empresas aparecem no levantamento. A Zootec teria recebido R$ 1,081 milhão em benefícios fiscais; a Raça Agro Norte, R$ 1,037 milhão; e a SGM, R$ 919,9 mil. Somados, os valores chegam a aproximadamente R$ 3,038 milhões.

A reportagem revela ainda que a Raça Agro Norte é administrada por João Antônio Fagundes Neto, filho de Wellington. Registros públicos também apontam João Antônio no quadro da Zootec, e reportagem de 2024 sobre processo de recuperação extrajudicial identificou Zootec, Raça Agro Norte e SGM entre as empresas integrantes do Grupo Raça Agro, administrado pelo filho do senador.

Os dados, segundo o jornal, foram levantados a partir de informações da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MT) e classifica o resultado da apuração como uma contradição ao discurso apresentado pelo candidato.

As críticas feitas por Wellington Fagundes aos incentivos fiscais já haviam sido duramente rechaçadas pelas entidades que congregam os principais segmentos da economia de Mato Grosso.

As críticas feitas por Wellington Fagundes aos incentivos fiscais já haviam sido rebatidas pela Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), que apresentou dados sobre o peso do setor e dos programas de incentivo na economia estadual. Ao mostrar dados, a Federação das Indústrias de Mato Grosso (FIEMT) indicou que para cada R$ 1 de renúncia fiscal nos programas do Estado foram registrados R$ 4,66 em investimentos diretos no Estado.

A entidade também defendeu a atual política ao destacar o estudo Custo Mato Grosso, segundo o qual produzir no Estado representa um custo adicional de R$ 38,5 bilhões em relação às regiões Sul e Sudeste, em razão de fatores como deficiências de infraestrutura rodoviária, ferroviária e energética, distância dos grandes centros consumidores e dificuldades relacionadas à mão de obra.

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