MULHER TENTAVA FUGIR COM BEBÊ NO COLO
Polícia apura se bebê foi morto após a mãe; irmão tentou impedir crime
Gustavo Castro e Patrícia Neves
A Polícia Civil trabalha com a hipótese inicial de que Taymilla Reis da Silva, de 23 anos, tenha sido morta antes do filho de quatro meses. O irmão da jovem ainda tentou chegar à propriedade rural para socorrê-la, mas encontrou mãe e bebê já sem vida. Os dois foram mortos a facadas na manhã desta quinta-feira (17), na divisa entre Luciara e Porto Alegre do Norte.
Os novos detalhes foram repassados ao Muvuca Popular pelo delegado Daniel Moura, responsável pela investigação em Alto Boa Vista. Segundo ele, a sequência dos crimes ainda precisa ser confirmada durante a apuração.
“A princípio, parece que ele matou a mãe e depois matou a criança. Temos que confirmar isso com ele, não sei se vai falar”, afirmou o delegado, que ainda irá ouvir o depoimento do criminoso.
De acordo com as informações preliminares, Taymilla tentou fugir das agressões do companheiro levando o bebê nos braços. Ela correu por uma estrada que dá acesso a outras propriedades rurais, mas foi alcançada a cerca de 500 metros da casa onde vivia.
O irmão da jovem soube do ataque e foi de motocicleta até o local para tentar salvá-la. Quando chegou, no entanto, o crime já havia sido consumado.
“O irmão dela tentou salvar a mulher. Ele foi de moto ao local, mas, quando chegou, ele já havia consumado o fato”, relatou Moura.
O companheiro de Taymilla e pai da criança, Jailton Gonçalves Barreira, de 29 anos, foi preso como principal suspeito. Ele foi encontrado ensanguentado em uma residência da propriedade e negou a autoria em uma declaração inicial.
O delegado esclareceu que ainda não interrogou Jailton. O suspeito deverá ser ouvido por videoconferência, quando a Polícia Civil tentará esclarecer a ordem dos ataques, a motivação e se ele estava embriagado ou sob efeito de alguma substância.
“Eu ainda não o ouvi. O boletim de ocorrência chegou para mim agora e eu não estou na delegacia. Vou ouvi-lo por vídeo. Assim que eu o ouvir, vamos esclarecer se estava embriagado ou não e esse tipo de questão”, explicou.
A ordem em que ocorreram as mortes também será considerada para definir o enquadramento jurídico. Conforme o delegado, caso seja confirmado que Taymilla morreu antes do bebê, a princípio não estaria caracterizada a violência vicária.
Esse tipo de violência ocorre quando o agressor ataca ou mata o filho para provocar sofrimento à mãe. No caso investigado, os indícios iniciais apontam que a criança teria sido morta depois de Taymilla.
“A violência vicária é quando a pessoa mata o filho na frente da mãe para causar sofrimento e dor nela. Então, a princípio, provavelmente não foi violência vicária”, explicou Moura.
A Polícia Civil avalia inicialmente o enquadramento da morte de Taymilla como feminicídio e a do bebê como homicídio qualificado. Segundo o delegado, o fato de a criança ter menos de 14 anos e de o suspeito ser o próprio pai poderá ser considerado para aumentar a pena em eventual condenação.
A dinâmica do crime, contudo, ainda será confrontada com o interrogatório do suspeito, os depoimentos das testemunhas e os resultados dos exames periciais.



