O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) mobilizará, nos próximos meses, uma força-tarefa técnica para reavaliar 517 pontos com indícios de nascentes em Cuiabá. A ação integra o projeto Água para o Futuro e busca atualizar a base de dados hidroambiental utilizada em medidas de preservação, recuperação e processos de licenciamento ambiental.
Desde o início do projeto na capital, aproximadamente 3 mil locais com potencial para abrigar nascentes foram mapeados. Após estudos científicos e vistorias em campo, 295 nascentes foram confirmadas. Outros 517 pontos ainda dependem de uma análise mais aprofundada, enquanto os demais foram descartados por não atenderem aos critérios técnicos necessários.
A revisão foi definida durante uma reunião entre as equipes responsáveis pelo projeto. Segundo os participantes, a quantidade de pontos classificados como “a confirmar” ainda supera o número de nascentes reconhecidas oficialmente, situação que tem provocado questionamentos durante processos de licenciamento ambiental.
A nova etapa será conduzida por uma equipe formada por biólogos, geólogos, profissionais de geotecnologia e especialistas de outras áreas. As avaliações considerarão fatores como umidade do terreno, cobertura vegetal, tipo de solo, topografia, nível do lençol freático, influência de aquíferos subterrâneos e a existência de cursos d’água.
Também serão analisados sinais de intervenções humanas, como retirada da vegetação, aterramento, drenagem, instalação de tubulações e lançamento de esgoto. Essas alterações, associadas à ocupação urbana irregular e aos períodos de estiagem, podem dificultar a identificação das características naturais dos locais.
O coordenador do Água para o Futuro, procurador de Justiça Gerson Barbosa, afirmou que a atuação conjunta de diferentes especialistas garantirá maior rigor científico ao levantamento.
“A maioria dos pontos registrados como nascentes a confirmar ocorre, geralmente, porque os degradadores chegaram quando ainda não existia o projeto e realizaram grandes atividades antrópicas, típicas da urbanização irregular”, explicou.
Conforme o procurador, a confirmação depende de imagens de satélite e, principalmente, de vistorias presenciais. Durante o trabalho, os técnicos verificam a vegetação indicadora, as características do solo, o surgimento de água e se o ponto dá origem a um curso d’água.
Em Cuiabá, a existência de aquíferos fraturados torna a análise hidrogeológica ainda mais importante. Nesse tipo de formação, a água circula por fraturas existentes nas rochas, o que pode tornar mais complexa a identificação de uma nascente.
O coordenador técnico-científico da iniciativa, Abílio José Ferraz de Moraes, destacou que a base de dados já passou por um processo de revisão. Inicialmente, mais de 3 mil pontos estavam classificados como pendentes de confirmação, quantidade que foi reduzida após verificações técnicas e trabalhos de campo.
O projeto Água para o Futuro é desenvolvido pelo MPMT em parceria com o Instituto Centro de Vida (ICV) e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A iniciativa utiliza georreferenciamento, sensoriamento remoto, imagens de satélite e levantamentos presenciais para identificar, monitorar e recuperar nascentes localizadas em áreas urbanas e periurbanas.



