quarta-feira, 7 outubro, 2026

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Muito além da roupa: algodão de MT vira combustível, alimento e até papel-moeda

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Foto: Divulgação Ampa

Quando se fala em algodão, a primeira imagem costuma ser a de roupas e tecidos. Mas a fibra é apenas uma parte de um ecossistema produtivo muito maior. Em Mato Grosso, o caroço, as fibras curtas e até materiais que permanecem depois do beneficiamento encontram diferentes destinos. Há óleo, alimento para animais, biocombustíveis, papel, filtros e até materiais utilizados pela indústria farmacêutica.

Toda essa “engrenagem” fez o estado quase triplicar a produção de algodão desde a safra 2007/2008, quando o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) iniciou o acompanhamento da cultura.

Neste 7 de outubro, Dia do Algodão, a trajetória da cultura ajuda a dimensionar a importância que ela ganhou no campo e em diferentes setores da economia mato-grossensse.

Ea série histórica mostra a transformação da cotonicultura no estado. Na safra 2007/08, Mato Grosso produziu 1,99 milhão de toneladas de algodão em caroço, em uma área de 530 mil hectares. Já em 2024/25, a produção alcançou o recorde de 7,32 milhões de toneladas, crescimento de 267,3%, enquanto a área chegou ao pico de 1,55 milhão de hectares, uma alta de 192,9%.

Os dados do Imea também mostram que a evolução foi tanto no aumento da área quanto na produtividade. Ao longo dos anos, o rendimento passou de 251,27 arrobas por hectare em 2007/08 para 330,25 arrobas por hectare em 2025/26, avanço de 31,4%. E foi justamente nesta última safra que o estado atingiu o recorde de produtividade.

Segundo a analista de algodão do Imea, Cíntia Teixeira, a cultura passou por uma mudança importante de patamar a partir da safra 2018/19, quando a produção passou a superar de forma consistente 4,5 milhões de toneladas e a área ultrapassou 1 milhão de hectares.

“A partir daquela safra, observamos uma consolidação de um novo patamar produtivo do algodão em Mato Grosso, tanto em área quanto em produção”, explica.

Embora a pluma seja a parte mais conhecida do algodão e esteja diretamente associada à indústria têxtil, praticamente toda a planta pode ser aproveitada. O caroço, por exemplo, dá origem a produtos que seguem para diferentes segmentos da economia.

Do caroço de algodão podem ser produzidos óleo, farelo e torta. Conforme destaca a analista do Imea, o óleo pode ser utilizado na alimentação e também como matéria-prima para biocombustíveis. Já o farelo e a torta têm importância na alimentação de bovinos. Já a casca do caroço também pode ser aproveitada como fonte de fibra para a alimentação animal.

“São fibras extremamente curtas que permanecem aderidas ao caroço mesmo depois do beneficiamento do algodão. Apesar de não terem comprimento suficiente para a indústria têxtil convencional, elas possuem características que permitem seu aproveitamento em diferentes produtos”, diz.

Já o línter, um subproduto composto pelas fibras bem curtas que ficam grudadas no caroço, pode ser utilizado na fabricação de papel-moeda, filtros, materiais de celulose, produtos farmacêuticos e outros itens industriais. Outras fibras curtas, que também não apresentam qualidade para a fabricação de tecidos, podem ser destinadas à produção de sacaria, feltros, mantas, tapetes e materiais de isolamento.

Para Cíntia, esse aproveitamento ajuda a dimensionar a amplitude da linha de processamento. “Quando a gente fala em algodão, não estamos falando só da pluma que vira tecido. Existe toda uma cadeia de aproveitamento do caroço, das fibras curtas e dos resíduos, que gera óleo, alimentos para animais, biocombustíveis e diversos produtos industriais. É uma cadeia muito mais ampla do que muita gente imagina”, explica a analista.

 

Expectativas para futuro

Depois do recorde de produção registrado em 2024/25, os números mais recentes apontam para uma “acomodação”. A produção foi consolidada em 6,81 milhões de toneladas na safra 2025/26 e está estimada em 6,65 milhões de toneladas para a 2026/27.

O Imea destaca que essa redução ocorre em um momento em que a área e a produtividade passam por movimentos diferentes, mas os volumes permanecem entre os maiores já registrados pelo instituto.

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