quinta-feira, 8 outubro, 2026

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CORPO DA VÍTIMA É PROCURADO

Professor desaparecido trabalhava em creche onde filho de suspeito estudava

Gustavo Castro

O advogado Ronaldo Meirelles, que representa o serralheiro Elias Samuel Delgado da Silva, de 26 anos, preso nesta quinta-feira (8) durante a investigação sobre o desaparecimento do professor Breno Antonio Humberto de Moraes, afirmou que o cliente negou envolvimento no caso e colaborou com a polícia. Segundo a defesa, ele compareceu à delegacia na sexta-feira anterior, entregou o celular e forneceu a senha do aparelho.

“Ele, a todo momento, diz que não tem participação em nada disso, não tem conhecimento de nada disso”, declarou Meirelles. A entrevista foi concedida enquanto o advogado aguardava a chegada do serralheiro à delegacia, antes de acompanhar a nova oitiva.

A versão apresentada pela defesa se refere aos esclarecimentos prestados anteriormente pelo investigado. Já as informações apuradas pela reportagem nesta quinta-feira apontam que o serralheiro confessou o assassinato do professor. Equipes da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) fazem buscas para localizar o corpo e apuram a possível participação de um segundo suspeito.

Meirelles relatou que decidiu acompanhar o cliente à delegacia após saber que policiais haviam procurado por ele em sua residência. Segundo o advogado, a apresentação foi comunicada previamente à unidade responsável pela investigação do desaparecimento.

“Quando eu recebi a notícia de que estavam procurando ele, eu sugeri que era melhor que nós nos apresentássemos”, afirmou.

Conforme a defesa, o serralheiro respondeu às perguntas dos investigadores e disponibilizou o aparelho celular para análise. O advogado também informou que o carro do cliente estava apreendido desde sexta-feira e passou por perícia da Politec nesta quinta-feira.

Ainda segundo Meirelles, foram requisitadas imagens de locais pelos quais o investigado afirmou ter passado e de outros pontos de interesse para a apuração.

O advogado disse que o serralheiro foi preso em uma fazenda na região do Manso, onde prestava serviço. A informação sobre a prisão, conforme seu relato, foi repassada pelo patrão do investigado.

Ao ser questionado sobre a relação entre o cliente e Breno, Meirelles afirmou que, segundo o serralheiro, o professor trabalhava na creche onde o filho dele aparentemente estudava. O advogado não confirmou detalhes sobre a matrícula da criança nem informou se havia conversas entre os dois por WhatsApp.

A defesa afirmou que aguardava acesso aos elementos reunidos pela polícia para se posicionar sobre os indícios que motivaram a prisão.

“A gente confia na investigação e crê que, para o delegado trazer, existem indícios. Mas indícios não necessariamente, no final, se transformam numa condenação”, declarou.

Meirelles também pediu cautela na condução do caso e disse que a busca por uma resposta à família deve respeitar os direitos dos envolvidos.

“No afã de tentar resolver as coisas, a gente pode atropelar os direitos e a verdade que está sendo procurada”, afirmou.

Breno, de 25 anos, desapareceu na noite de 26 de setembro, após sair de casa, em Várzea Grande. Segundo familiares, ele disse que não demoraria, mas não retornou. A Polícia Civil trabalha para esclarecer as circunstâncias do crime e identificar outros possíveis envolvidos.

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