quinta-feira, 8 outubro, 2026

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ESCOLHA CONSCIENTE

Motorista de BMW chegou a 177 km/h antes de matar jovem e não cometeu mero erro, diz MP

Patrícia Neves

Uma sequência de escolhas conscientes, e não um acidente isolado. Essa é a avaliação do Ministério Público de Mato Grosso sobre a conduta de Hercílio Junio Freitas Cordeiro, acusado de atingir dois motociclistas e matar Paulo Messias Simão Costa, de 23 anos, na madrugada de 30 de agosto, na Avenida Isaac Póvoas, em Cuiabá. Segundo a acusação, ele dirigia sem habilitação, sob influência de álcool e foi flagrado a 177 km/h entre as duas colisões.

“Não se tratou de mero infortúnio ou de erro isolado de condução, mas da convergência de escolhas conscientes e sucessivas”, afirma a promotora de Justiça Élide Manzini de Campos, ao sustentar que o motorista assumiu o risco de matar.

Para o Ministério Público, o ponto central é que Hercílio continuou acelerando mesmo depois de atingir a primeira vítima, Guilherme Nunes Medeiros, que estava parado em um semáforo. Em vez de interromper o trajeto e prestar socorro, ele teria aumentado a velocidade para fugir da responsabilização.
Conforme o documento, o motorista relatou posteriormente à esposa que, por não possuir habilitação, “tentou dirigir mais rápido para chegar em casa”. Um equipamento de fiscalização registrou a BMW a 177 km/h em um trecho onde o limite era de 50 km/h. Após o desconto da margem de tolerância, a velocidade considerada foi de 165 km/h.

Cerca de 700 metros adiante, segundo a acusação, o carro atingiu a traseira da motocicleta de Paulo. O jovem havia entrado na avenida com o sinal aberto e seguia pela terceira faixa, com a iluminação traseira funcionando.

O MP afirma que Hercílio ultrapassou outro veículo, mudou para a faixa ocupada pelo motociclista e acelerou, sem frear ou desviar, embora houvesse espaço nas demais faixas. Paulo foi arremessado a mais de dez metros, enquanto a motocicleta ficou presa momentaneamente ao carro e foi arrastada por cerca de 30 metros. Ele morreu no local.

Antes das colisões, Hercílio havia sido retirado da casa noturna Nuun Garden após uma confusão. De acordo com relatos de funcionários citados no documento, ele apresentava falta de equilíbrio, fala arrastada, odor de álcool e comportamento agressivo. Dentro do estabelecimento, teria discutido com a esposa e quebrado um copo.

A acusação também aponta que a esposa o advertiu de que ele não possuía habilitação. Mesmo assim, ele pegou a chave da BMW e deixou o estacionamento “cantando pneu”, conforme a descrição apresentada pelo Ministério Público.

Depois da segunda colisão, o motorista teria seguido até as proximidades da Santa Casa, onde abandonou o carro avariado, com os airbags acionados, e fugiu a pé em direção ao Morro da Luz. Ele se apresentou à polícia, acompanhado de advogado, na noite de 3 de setembro.

O documento registra ainda que a BMW acumulava autuações por excesso de velocidade nas semanas anteriores, com registros de até 150 km/h em vias com limites de 40 a 60 km/h. Essas infrações são atribuídas ao veículo, sem identificação, no trecho apresentado, de quem dirigia em cada ocasião.
Hercílio, que está preso conforme o documento, foi denunciado por homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificado e crimes de trânsito. O Ministério Público pediu a manutenção da prisão preventiva e que ele seja submetido ao Tribunal do Júri. Também requereu, em caso de condenação, reparação mínima de R$ 1 milhão pelos danos à vítima sobrevivente e aos familiares de Paulo.
O material encaminhado contém a versão da acusação e não apresenta a manifestação da defesa nem uma decisão sobre o recebimento da denúncia.

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