sexta-feira, 9 outubro, 2026

Expediente

Muvuca Popular

FOI PARA O ADAUTO BOTELHO

Agrônomo que matou esposa é transferido após internação custar mais de R$ 200 mil ao Estado

Patrícia Neves

O engenheiro agrônomo Daniel Benhennann Frasson, réu pelo feminicídio da esposa, Gleici Keli Geraldo de Souza, e pela tentativa de homicídio contra a filha, deixou a clínica particular onde estava internado e foi transferido para o Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho. A mudança foi determinada pela Justiça após a internação na unidade privada custar mais de R$ 200 mil ao Estado.

“Os vídeos foram juntados aos autos. Pedimos nova perícia para trazer a realidade fática. O juízo, de imediato, mandou encaminhar o Daniel ao Adauto Botelho. Ele não está mais na clínica particular. Agora vamos provar que ele não é inimputável e merece uma reprimenda pelo crime de feminicídio”, declarou o assistente de acusação, advogado Rodrigo Pouso Miranda.

O advogado e o Ministério Público apresentaram à Justiça gravações das câmeras de segurança da residência onde o crime ocorreu e solicitaram uma avaliação mais aprofundada do estado mental do réu. Dois laudos periciais apontaram que Daniel era inimputável no momento dos ataques.

Rodrigo também tem divulgado uma série de vídeos nas redes sociais. Na avaliação do advogado, os registros demonstram a crueldade e a premeditação dos atos e reforçam a necessidade de uma nova perícia.

O crime aconteceu em 24 de junho de 2025, na residência da família, em Lucas do Rio Verde, a 354 quilômetros de Cuiabá. Segundo a descrição das imagens apresentada pela acusação, Daniel caminha pela casa, pega uma faca na cozinha e vai até o quarto, onde ataca Gleici enquanto ela dormia. A mulher foi atingida por 16 facadas.

A filha do casal, que tinha 7 anos na época, também foi atacada. A menina sobreviveu e permaneceu 22 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O laudo mais recente da Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec), anexado ao processo em junho deste ano, concluiu que Daniel não tinha capacidade de compreender o caráter ilícito dos atos no momento do crime. O resultado confirmou a avaliação realizada em setembro de 2025.

Durante a primeira perícia, o agrônomo afirmou que estava em tratamento havia cerca de 90 dias, após um diagnóstico inicial de síndrome de burnout. Relatou que havia trocado de psiquiatra aproximadamente 45 dias antes do crime e que, mesmo medicado, dormia apenas duas horas por noite.

Daniel também descreveu irritabilidade, tristeza, agitação e confusão mental. Disse ouvir, havia aproximadamente 15 dias, uma voz que ordenava que matasse e relatou alternar pensamentos de suicídio e impulsos homicidas, embora mantivesse planos futuros e viagens marcadas.

A acusação pretende contestar as conclusões dos laudos por meio de uma nova avaliação, usando as gravações para sustentar o pedido de responsabilização penal do réu.

Leia também