O ex-secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, rebateu nesta quarta-feira (14), durante depoimento à CPI da Saúde da Assembleia Legislativa, as críticas do deputado estadual Lúdio Cabral (PT) à condução do enfrentamento da Covid-19 em Mato Grosso. Gilberto acusou o parlamentar, que é médico, de permanecer em trabalho remoto e não atender pacientes durante a crise sanitária iniciada em 2020.
“Ninguém na secretaria desses que eu estou falando ficou no home office, tal como o deputado que me critica. Médico da Secretaria de Estado de Saúde, não atendeu nenhum paciente na pandemia quando nós precisávamos de ajuda e de apoio”, afirmou.
A reação ocorreu após Gilberto ser questionado sobre a avaliação atribuída a Lúdio de que Mato Grosso teria apresentado o pior desempenho entre as unidades da Federação na preservação de vidas. O questionamento mencionou mais de 15 mil mortes por Covid-19 e uma comparação proporcional entre população e óbitos.
Gilberto contestou a avaliação e sustentou que a atuação do governo evitou um número ainda maior de mortes. Na defesa da gestão, afirmou que o Estado enfrentou a pandemia com uma estrutura hospitalar insuficiente, resultado, segundo ele, de duas décadas sem investimentos necessários na rede pública.
“Nós poderíamos ter perdido mais vidas se esse governo não tivesse sido eficiente”, declarou.
O ex-secretário disse que a chegada de uma doença ainda desconhecida agravou as dificuldades encontradas no início de sua gestão. Segundo ele, o governo havia passado o primeiro ano tentando reorganizar a secretaria quando precisou responder à emergência sanitária.
Gilberto afirmou que a capacidade do Hospital Metropolitano foi triplicada em 45 dias e citou a ampliação de unidades hospitalares e a abertura de 600 leitos de UTI no Estado. Ressaltou que as obras permaneceram disponíveis à população depois da pandemia.
“Mesmo assim, nós ampliamos, triplicamos a capacidade do Hospital Metropolitano em 45 dias. Não foi daqueles hospitais de campanha montados e depois desmontados. Até hoje as instalações servem à população de Mato Grosso”, disse.
Ao voltar às críticas de Lúdio, Gilberto contrapôs a atuação dos profissionais que permaneceram no atendimento presencial à de quem, segundo ele, acompanhou a crise a distância.
“Muito simples ficar no home office, no ar-condicionado, fazendo contabilidade e anunciando o apocalipse de quem vai morrer”, afirmou.
O ex-secretário também citou a importação de equipamentos, a produção de mais de cinco milhões de máscaras e a implantação de um centro de triagem da Covid-19. Segundo ele, a unidade realizou mais de 500 mil atendimentos.
Gilberto afirmou que os servidores que continuaram trabalhando enfrentaram jornadas ampliadas e precisaram substituir colegas afastados. Relatou ainda que quase perdeu a vida durante a pandemia e disse que as decisões foram tomadas em um cenário de urgência, sem o conhecimento que se tem hoje sobre a doença.
Na avaliação dele, a ausência de hospitais em regiões com pouca oferta de atendimento contribuiu para a gravidade da crise. O ex-secretário cobrou responsabilidade de gestões anteriores e questionou o que os críticos fizeram para ampliar a estrutura de saúde antes da pandemia.
“Se esse Estado tivesse investido nos vazios assistenciais, construindo hospitais que nós estamos construindo, não teria morrido tanta gente”, declarou.
Ao encerrar a resposta, Gilberto disse que não se sente incomodado pelas críticas, mas voltou a acusar aqueles que, em sua avaliação, poderiam ter contribuído com o atendimento presencial.
“É muito fácil ficar no home office, anunciando o apocalipse, em vez de ir para o front, se apresentar para ajudar a defender a população”, afirmou.
A CPI da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) apura gastos e irregularidades nos pagamentos realizados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) entre 2019 e 2025, período de gestão de Gilberto.












