O Cuiabá anunciou nesta quinta-feira (15) que quitou integralmente a dívida de aproximadamente R$ 5,5 milhões com o técnico português Petit e sua comissão técnica, encerrando a punição imposta pela FIFA que impedia o clube de registrar novos jogadores. Com o pagamento, o Dourado fica novamente liberado para atuar no mercado de transferências.
Em nota oficial, o clube informou que o valor foi pago com recursos próprios e esforço dos acionistas. A diretoria destacou, porém, que a despesa teve impacto significativo no orçamento de 2026, comprometendo investimentos que poderiam ser destinados ao elenco profissional, às categorias de base e à estrutura da instituição.
Apesar de confirmar o cumprimento da decisão da FIFA, o Cuiabá manifestou insatisfação com as circunstâncias que levaram à condenação e aproveitou o comunicado para cobrar maior equilíbrio nas regras financeiras do futebol brasileiro.
Cuiabá cobra R$ 45 milhões de outros clubes
Um dos principais pontos levantados pelo Dourado foi a existência de aproximadamente R$ 45 milhões a receber de outras equipes brasileiras, referentes a negociações de jogadores já concluídas.
Segundo o clube, entre os devedores estão Corinthians, Santos, Grêmio, Sport e Atlético-MG. As pendências estão sob análise da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD).
A diretoria questionou a diferença entre o rigor aplicado na cobrança de suas próprias obrigações e a demora para receber valores de outros clubes.
“Enquanto o Cuiabá paga integralmente o que deve, sob pena de sanção, o Clube tem hoje cerca de R$ 45 milhões a receber de clubes brasileiros por negociações concluídas e não pagas. Essa conta não fecha”, afirmou o Dourado em nota.
O Cuiabá também defendeu que as regras de fair play financeiro sejam aplicadas de maneira uniforme, cobrando da CBF e dos órgãos responsáveis maior rigor na fiscalização e no cumprimento das obrigações entre clubes.
Relembre a saída de Petit
O técnico português comandou o Cuiabá entre maio e agosto de 2024, durante a disputa da Série A do Campeonato Brasileiro.
A passagem terminou após a goleada por 5 a 0 sofrida diante do Palmeiras, quando Petit deixou o comando da equipe, embora tivesse contrato válido até dezembro de 2025.
Na época, o clube informou que o treinador havia solicitado o desligamento por motivos pessoais. O presidente Cristiano Dresch chegou a relatar que o português enfrentava dificuldades de adaptação à rotina do futebol brasileiro, especialmente em relação às viagens e à distância da família.
Posteriormente, o caso foi levado à FIFA, que determinou o pagamento de valores ao treinador e à comissão técnica.
Clube pede mudanças nas regras
No comunicado, o Cuiabá também criticou o modelo de indenizações em casos de rescisão antecipada de contratos no futebol brasileiro.
Na avaliação da diretoria, as regras atuais podem gerar obrigações financeiras desproporcionais ao período efetivamente trabalhado, comprometendo o planejamento dos clubes.
O Dourado afirmou que pretende defender mudanças no modelo junto às entidades responsáveis pelo futebol nacional.
Com a dívida quitada e a restrição encerrada, o Cuiabá recupera a possibilidade de registrar atletas e busca concentrar seus esforços no planejamento esportivo, na formação de jogadores e na continuidade das competições.














