segunda-feira, 19 outubro, 2026

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DÚVIDA FREQUENTE

Após cirurgia de câncer de mama, quando voltar a movimentar o braço?

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Foto: FreePik

Depois da cirurgia de câncer de mama, uma das dúvidas mais frequentes é simples e ao mesmo tempo angustiante: até onde posso mover o braço? A pergunta costuma vir acompanhada de medo de dor, de prejudicar a cicatrização ou de desenvolver linfedema, o inchaço causado por comprometimento da drenagem linfática. A resposta, porém, não é permanecer imóvel nem forçar o corpo.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. A doença é a mais frequente entre as mulheres, excluindo os tumores de pele não melanoma.

A fisioterapeuta Mariana Milazzotto, @marimilazzotto, mestre em Ciências Médicas e especialista em reabilitação funcional, explica que a recuperação deve considerar tanto os movimentos quanto as dificuldades enfrentadas na rotina.

“O medo de mover o braço é compreensível, mas a imobilidade prolongada pode trazer outros problemas. A reabilitação não é sobre forçar o corpo: é sobre avançar com critério, respeitando a cirurgia realizada e as orientações da equipe”, afirma Mariana.

Movimento precisa de planejamento
Em 2025 o Instituto Nacional do Câncer, o INCA, publicou sobre os benefícios dos exercícios após cirurgia de câncer de mama, incluindo melhora da mobilidade do ombro, da força e da qualidade de vida. Os estudos analisados também apontaram menor incidência de linfedema nos grupos que realizaram exercícios. Os resultados não significam, porém, que qualquer atividade seja adequada em todas as fases da recuperação.

Uma publicação na Revista Brasileira de Cancerologia também avaliou exercícios para recuperar a mobilidade e a função dos membros superiores. Nos protocolos estudados, o início mais precoce da movimentação não esteve associado a maior risco de seroma, o acúmulo de líquido na região operada.

“O que muda é o momento, o tipo de cirurgia, a presença de complicações e a resposta individual”, explica Mariana.

Linfedema: informação ajuda a lidar com o medo
O linfedema ocorre quando há comprometimento da drenagem linfática e pode aparecer após o tratamento do câncer de mama. Segundo Milazzotto o risco varia conforme fatores como cirurgia dos linfonodos e radioterapia, e a condição pode surgir meses ou anos depois do tratamento.

Esse risco não implica restrição permanente ao movimento. A reabilitação pode incluir exercícios progressivos, avaliação da mobilidade e acompanhamento de sintomas. Quando o linfedema está instalado, o cuidado pode envolver terapia descongestiva, com compressão, exercícios, cuidados com a pele e drenagem linfática manual, conforme indicação.

“O medo do linfedema não pode virar motivo para paralisar o braço. Também não pode ser ignorado. O caminho é o acompanhamento: reconhecer mudanças cedo e ajustar o cuidado”, diz Mariana.

Quando procurar avaliação
Inchaço persistente, sensação de peso, dor, mudanças na pele ou redução da mobilidade merecem ser relatados à equipe de saúde. Antes de iniciar ou intensificar exercícios em casa, a paciente deve receber orientações compatíveis com a cirurgia realizada e a fase da recuperação.

Para Mariana, o Outubro Rosa também é uma oportunidade de discutir o cuidado depois da cirurgia. “A cirurgia encerra uma etapa, mas não encerra as necessidades da mulher. Recuperar movimento, reduzir medo e preservar autonomia também fazem parte do tratamento.”

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