O réu Jackson Pinto da Silva afirmou, durante o julgamento pelo Tribunal do Júri, nesta terça-feira (20), que não tentou socorrer a esposa, a empresária Nilza Moura de Souza Antunes, após apertar uma abraçadeira plástica em seu pescoço porque acreditou que ela já estava morta. Questionado sobre o motivo de não tentar reverter a situação, ele disse que não verificou se a mulher ainda apresentava sinais de vida.
“Naquele momento eu achei que ela já estava morta”, declarou Jackson.
Durante o interrogatório, o réu foi questionado se chegou a tentar retirar o objeto do pescoço da vítima ou fazer alguma coisa para salvar a vida dela depois de perceber o que havia acontecido. Ele respondeu negativamente e confirmou que não verificou se Nilza ainda estava viva.
O depoimento acrescenta um novo detalhe à reconstituição do crime. Em outras respostas aos jurados e à acusação, Jackson afirmou que se arrependeu logo após matar a esposa, mas contou que decidiu esconder o corpo em vez de procurar ajuda.
Registro de desaparecimento
Jackson também foi questionado sobre a ida à delegacia para comunicar o desaparecimento de Nilza. Conforme a investigação, o registro foi feito em 5 de maio, embora o acusado soubesse que a mulher havia sido morta.
O réu confirmou que procurou a polícia, mas disse não se lembrar exatamente do que informou no registro. Segundo ele, mantinha contato com familiares da empresária e acabou participando dos procedimentos que eles solicitavam.
“Não me recordo exatamente o que eu coloquei lá”, afirmou.
A investigação aponta que Jackson comunicou falsamente o desaparecimento da esposa e sustentou a versão de que não sabia onde ela estava. Nilza foi encontrada enterrada nos fundos de um imóvel no bairro Parque Cuiabá, em Cuiabá, em 5 de maio deste ano.
Abraçadeira em vez de facão
Durante as perguntas, Jackson também foi questionado sobre o objeto utilizado no crime. Ele confirmou que havia um facão na garagem, mas negou tê-lo escolhido para atacar a esposa. Segundo o réu, havia outros objetos no local e ele acabou pegando a abraçadeira plástica.
Questionado sobre o motivo de ter escolhido aquele objeto, disse não se lembrar exatamente do que pensou na ocasião.
A perícia apontou que Nilza morreu por asfixia provocada pela abraçadeira. Jackson responde pelo feminicídio da empresária, cuja morte também é investigada sob a suspeita de motivação patrimonial. Durante o período em que ela era considerada desaparecida, o acusado transferiu R$ 18 mil da conta da vítima para a própria conta.














