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APÓS OPERAÇÃO DO GAECO

Vereador Bruno Rios registra BO contra Wanderley e diz que não será culpado pelos atos do presidente

Renato Ferreira

O vereador Bruno Rios (PL), ex-líder da prefeita Flávia Moretti (PL) na Câmara de Várzea Grande, afirmou que registrou um boletim de ocorrência contra o presidente do Legislativo, Wanderley Cerqueira (MDB), após uma suposta ameaça no início da sessão de ontem, terça-feira (20). Segundo o parlamentar, Wanderley deu um pequeno tapa em seu ombro esquerdo e disse que ele iria “pagar”, horas depois da deflagração da Operação Cathedra Venalis, do Gaeco.

“Ele me falando: ‘Você vai me pagar, meu filho’. Naquele momento, eu simplesmente indaguei: ‘Pagar o quê? O que eu estou te devendo?’. Não estou te devendo nada. Não adianta o senhor querer procurar em mim culpado pelos seus atos”, relatou Bruno, em entrevista nesta quarta-feira (21).

O parlamentar afirmou que pretende comunicar o episódio aos responsáveis pela investigação. Na avaliação dele, a abordagem de Wanderley teve relação com a operação policial que colocou o presidente da Câmara entre os investigados.

“Eu respondo pelos meus atos e não pelos seus atos. Eu acredito que tudo que está acontecendo foi em decorrência dos atos dele e do grupo dele, pelo formato de fazer aquela política”, declarou.

Conforme mostrou o Muvuca Popular, os dois protagonizaram um bate-boca logo no início da sessão, enquanto estavam sentados lado a lado. Na ocasião, Bruno reagiu dizendo que não aceitava ameaças e que não tinha relação com a situação enfrentada pelo presidente.

Questionado sobre sua segurança, Bruno afirmou ter conversado com os pais após o episódio e disse que manterá sua posição política.

“Eu falei para o meu pai que ele fez um filho homem e que eu morro em pé, mas não vivo de joelhos”, afirmou. “Acredito muito nas minhas convicções e acredito muito na Justiça de Deus.”

A Operação Cathedra Venalis foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso, para apurar suspeitas de compra de votos, corrupção e atuação de uma organização criminosa envolvendo a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. A ação também alcançou vereadores de Cuiabá.

Bruno negou ter sido o autor da denúncia que originou a investigação. Ele afirmou que sua atuação ocorreu por meio de medidas judiciais contra a eleição da Mesa.

“Eu sou autor da ação no STF e dos mandados de segurança. Desses eu sou autor”, disse. O vereador acrescentou que ainda não teve acesso ao inquérito e que busca consultar os documentos para prestar esclarecimentos.

Durante a entrevista, Bruno também contestou a versão de que a eleição realizada em maio estaria apenas suspensa. Segundo ele, houve anulação e, por isso, Wanderley precisa convocar uma nova votação.

“A eleição está nula e ele tem que convocar a nova eleição”, afirmou.

O parlamentar acusou o presidente de tentar adiar a disputa e disse que já recorreu à Justiça para obter a convocação. Conforme Bruno, a expectativa é que, após o prazo para apresentação de informações no mandado de segurança, o Judiciário analise um pedido de liminar para determinar a realização dos procedimentos necessários.

Ao comentar o encontro de parlamentares em uma chácara antes da eleição de maio, Bruno questionou a justificativa de que se tratava de uma confraternização.

“Como se faz uma confraternização antes da eleição? Eu acredito que festa só se faz posteriormente à eleição, ao resultado. E, outra coisa, uma confraternização de três dias, quatro dias, eu acho que essa conta não fecha”, declarou.

Segundo a versão apresentada pelo vereador, Wanderley alimentava entre os colegas a expectativa de cassação de Flávia Moretti em um julgamento no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Bruno alegou que o presidente já negociava espaços na administração municipal diante dessa possibilidade.

O parlamentar também afirmou que os colegas teriam sido mantidos reunidos para evitar mudanças de posição antes da votação. Essas declarações representam a versão de Bruno sobre os acontecimentos. Bruno também negou ter recebido proposta financeira para apoiar Wanderley na disputa pela presidência.

Apoio a Lucas

O vereador descartou a possibilidade de substituir Lucas do Chapéu do Sol como candidato à presidência da Câmara. Segundo ele, o grupo mantém o apoio a Lucas e reúne aproximadamente 19 vereadores.

“O Lucas do Chapéu do Sol é candidato e a gente vai até o final”, afirmou.

Apesar das críticas, Bruno disse que defende uma solução por consenso, inclusive com diálogo com Wanderley, para encerrar a disputa e retomar outras pautas do município.

“Esse problema interno da Câmara já passou da hora de ser resolvido”, declarou, ao citar demandas relacionadas ao abastecimento de água, à saúde e à recuperação das ruas.

Atual vice-presidente da Casa, Bruno lembrou que ajudou a formar a Mesa comandada por Wanderley, mas afirmou que o afastamento ocorreu por divergências sobre a condução política do Legislativo.

“Observando as suas atitudes e o seu formato de fazer política, a gente divergiu bastante e seguiu caminhos opostos”, concluiu.

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