O Governo de Mato Grosso abriu uma nova licitação para construir o túnel na região do Portão do Inferno, na MT-251, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães. O edital foi publicado nesta quinta-feira (22), um dia depois de o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmar que determinou o avanço do processo de contratação mesmo sem autorização ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Na quarta-feira (21), em conversa com jornalistas no Palácio Paiaguás, Pivetta declarou que o Estado recorreria à Justiça caso o órgão federal embargasse a obra.
“Se o Ibama embargar, nós vamos entrar na Justiça pedindo para construir”, afirmou o governador, ao anunciar que havia orientado o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, a iniciar os procedimentos de licitação.
A nova concorrência prevê investimento estimado em R$ 72,5 milhões. As empresas interessadas poderão apresentar propostas até 28 de janeiro de 2027. A contratação será feita pelo regime integrado, no qual a empresa vencedora ficará responsável tanto pela elaboração dos projetos básico e executivo quanto pela execução dos serviços.
O projeto prevê um túnel de 170 metros de extensão, com pista de concreto e acostamento. Considerando os acessos, a estrutura terá 513 metros no total.
Apesar do avanço na contratação, a publicação do edital não significa que a obra esteja liberada para começar. O projeto ainda enfrenta o impasse relacionado ao licenciamento ambiental, e a execução depende das autorizações necessárias ou de eventual decisão judicial que permita a intervenção.
Nova tentativa
Esta é a segunda tentativa de contratação do túnel. A primeira licitação, realizada em 2026, terminou sem vencedor porque a única empresa que apresentou proposta foi inabilitada por não atender aos requisitos de qualificação econômico-financeira previstos no edital.
A Sinfra-MT sustenta que a construção do túnel é a solução definitiva para os problemas de segurança no Portão do Inferno, trecho marcado por instabilidades no maciço rochoso e episódios de queda, tombamento e rolamento de blocos.
Estudos técnicos identificaram comprometimento da estabilidade das rochas e risco de colapso estrutural. Medidas emergenciais, como a instalação de barreiras de contenção e a restrição ao tráfego de veículos pesados, ajudaram a reduzir os riscos, mas não substituem a intervenção definitiva defendida pelo governo.
Segundo a secretaria, a alternativa foi escolhida por oferecer maior segurança permanente, menor impacto ambiental e paisagístico e custos de manutenção mais baixos ao longo da vida útil da estrutura. Outro argumento é que a construção poderá ocorrer sem a necessidade de interromper o trânsito durante os trabalhos.
O edital, o termo de referência, o estudo técnico preliminar e o relatório do anteprojeto estão disponíveis no site da Sinfra-MT.














