Investigações da Polícia Civil de Mato Grosso resultaram na prisão de suspeitos apontados como lideranças de facção na Bolívia, no Paraguai e no Rio de Janeiro, além da captura de foragidos de outros estados que estavam escondidos em território mato-grossense. As ações realizadas desde 2025 envolveram inteligência policial e cooperação com instituições brasileiras e estrangeiras.
Entre os casos está o de Angelica Saraiva de Sá, conhecida como Angeliquinha, apontada pela Polícia Civil como uma das líderes de uma facção em Mato Grosso. Ela foi localizada em uma casa em condomínio de luxo em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e posteriormente transferida para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
A delegada-geral da Polícia Civil, Daniela Silveira Maidel, atribuiu os resultados aos investimentos do Governo de Mato Grosso, ao fortalecimento das instituições e à integração entre as forças de segurança.
Capturas na Bolívia e no Paraguai
As operações no exterior tiveram participação da Gerência Estadual de Polinter e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Em junho deste ano, Willian Guilherme dos Santos foi preso na Bolívia. Segundo a Polícia Civil, ele integrava uma facção e era procurado por um homicídio cometido em Bauru, no interior de São Paulo.
Em agosto, o médico André Barbosa de Souza, investigado por suposta ligação com uma organização criminosa, foi localizado em San Matías. A ação envolveu a Polinter, a Draco e a Interpol.
No mês seguinte, Pedro Henrique Lima foi preso em San Ignacio de Velasco, após uma troca de informações com a inteligência da polícia boliviana. Ele tinha um mandado de prisão por homicídio. Outros cinco brasileiros encontrados na mesma casa também foram presos, suspeitos de envolvimento na morte de um rival em uma disputa pelo tráfico de drogas.
Ainda em setembro, uma operação conjunta com a inteligência da polícia paraguaia levou à prisão de João Batista Vieira dos Santos, em Mariano de Luque, no Paraguai. Conforme a investigação, ele também ocupava posição de liderança na facção em Mato Grosso.
Foragidos no Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, as ações alcançaram pessoas investigadas por comandar crimes em Mato Grosso mesmo depois de deixarem o estado.
Em agosto de 2025, Ingride Fontinelles Morais e Priscila Moreira Janis foram presas em um shopping. Ingride estava foragida havia quase dois anos. Priscila era apontada como uma das principais lideranças da facção em Sorriso e, segundo as investigações, comandava atividades criminosas e determinava mortes de rivais desde 2022.
No mesmo mês, Bruno Ojeda foi localizado em um hotel em Copacabana, quando retornava da praia. Alecsandro Santiago da Cruz e André Valber de Macedo Nunes Silva estavam com ele e também foram presos. Conforme a Polícia Civil, o trio era investigado por comandar ações criminosas em Mato Grosso, além de responder por sequestro, roubo e aliciamento de menores.
Em setembro de 2025, Ederson Xavier de Lima, conhecido como Boré, foi preso na Praia de Piratininga, em Niterói. Ele é apontado como operador financeiro da facção e homem de confiança de Jonas Souza Gonçalves Júnior, o Batman.
No mês seguinte, Acácio Costa Ribeiro, conhecido como Panela, foi encontrado em um apartamento de alto padrão na Barra da Tijuca. Segundo a polícia, ele exercia função de destaque na organização e atuava na região sul de Mato Grosso.
As capturas continuaram em 2026. Em janeiro, Renato Barbosa, conhecido como Pezão ou Topete, foi preso durante a Operação Cartorium. Ele é apontado como liderança da facção em Primavera do Leste, Vila Rica e Barra do Garças.
Em fevereiro, Adão Alves da Silva Neto foi localizado em uma padaria no Rio. A investigação o identifica como operador financeiro ligado a Gilmar Reis da Silva, conhecido como Vovozona.
Já em julho, Erival Vitorino Machado, conhecido como Demenor, Semente ou Menor Wisk, foi preso no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. A ação teve confronto armado e apreensão de três fuzis. Segundo a polícia, um deles estava com o suspeito, que também utilizava um documento de identidade falso.
Em agosto, Guilherme Moura da Silva foi preso enquanto treinava em uma academia em Inhaúma. Ele é investigado por movimentar recursos da facção e apontado como um dos homens de confiança de Batman.
Procurados por outros crimes
O trabalho de localização de foragidos também resultou na prisão de Antônio Brasileiro da Silva Neto, encontrado em uma casa de alto padrão em Chapada dos Guimarães. Apontado como integrante de uma facção no Ceará, ele foi capturado em uma ação conjunta com a Polícia Civil daquele estado.
No fim de abril, equipes de inteligência da Polinter e da Delegacia de Vila Rica prenderam Semi Alves da Silva, condenado a 17 anos de prisão por estupro de vulnerável contra uma criança de 10 anos.
Outro caso foi a prisão de Aluízio Faria Batista, em agosto, em Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, ele estava foragido da Justiça do Rio Grande do Norte desde 1984, em razão do acidente de ônibus que matou 19 pessoas durante o Carnaval daquele ano. O episódio ficou conhecido como “Tragédia do Baldo”.
O diretor de Atividades Especiais da Polícia Civil, delegado Cláudio Álvares Sant’Ana, afirmou que a investigação e a cooperação entre instituições permitem localizar procurados mesmo quando eles tentam se esconder em outros estados ou países.














