Em um processo seletivo, não é apenas a empresa que escolhe, o candidato também avalia. E é essa experiência que pode pesar diretamente na decisão de seguir ou não com uma oportunidade de trabalho. Para 86% dos trabalhadores brasileiros, a maneira como a companhia conduz a seleção influencia total ou parcialmente a decisão de aceitar uma proposta. É o que mostra a nova edição da pesquisa “Saúde Financeira dos Trabalhadores Brasileiros”, realizada pela Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil. Veja os dados na íntegra no gráfico a seguir:
O levantamento também mostra que 74% dos entrevistados já participaram de uma seleção da qual não receberam retorno ao menos uma vez. Para a maioria, não se tratou de um episódio isolado. Ao todo, 64% relatam que isso já aconteceu algumas ou várias vezes. Em contraponto, apenas 26% afirmam nunca ter passado por uma situação desse tipo.
A ausência de resposta dos empregadores também gera efeitos sobre a percepção do candidato. Frustração é o sentimento mais mencionado, por 41% dos entrevistados, seguida por sensação de desrespeito. Confira as informações completas no gráfico abaixo:
Para Délber Lage, diretor de Soluções para RH da Serasa Experian, os resultados mostram que o recrutamento deixou de ser uma jornada de avaliação em apenas uma direção.
“O que vemos é que existe uma avaliação mútua desde os primeiros contatos. Enquanto a empresa busca entender se aquele profissional tem aderência à oportunidade, o candidato também observa como a organização se comunica, conduz as etapas e respeita seu tempo. Uma experiência mais organizada e assertiva contribui para que os dois lados tenham melhores condições de tomar uma decisão”, afirma.
Demora pode fazer candidato desistir da oportunidade de emprego
O tempo também aparece como um fator relevante nessa relação, já que em média 18 dias sem retorno são suficientes para que o trabalhador perca o interesse por uma vaga. Metade dos entrevistados chegaria a esse ponto em até duas semanas.
O peso atribuído à experiência de seleção contrasta com a percepção dos trabalhadores sobre como esses processos funcionam atualmente. Mais da metade dos trabalhadores vê problemas nos processos seletivos atuais. Para 30%, eles são pouco adequados e, para 26%, excessivamente longos e burocráticos. Outros 39% os consideram adequados e somente 5% muito adequados.
O estudo também investigou como os profissionais se comportam durante as entrevistas e identificou que mais da metade (55%) afirma que precisa adaptar seu comportamento, embora ainda consiga ser quem é. Outros 17% dizem sentir a necessidade de “atuar” para atender às expectativas e apenas 28% afirmam que conseguem ser autênticos durante as conversas com os recrutadores.
Na avaliação do diretor de Soluções para RH da datatech, os dados reforçam a importância de combinar diferentes elementos na decisão de contratação. “A entrevista continua sendo uma etapa importante, mas não precisa concentrar sozinha toda a avaliação. Quando o RH consegue trabalhar informações de forma mais estruturada e contextualizada, ganha melhores condições para entender a aderência entre profissional, vaga e organização. A tecnologia pode apoiar esse processo e trazer mais qualidade à decisão, que continua sendo humana”, explica.
Ainda segundo o executivo, essa lógica começa antes mesmo da entrevista. “O uso de inteligência de dados pode ajudar as empresas a identificar profissionais mais compatíveis com os critérios da vaga desde o início. Isso torna a jornada mais relevante para o candidato e mais eficiente para o RH, ao reduzir esforços em processos com baixa aderência entre as partes”, acrescenta.
IA divide opiniões e reforça importância da supervisão humana
A pesquisa também avaliou como os trabalhadores enxergam o uso de inteligência artificial nas primeiras etapas do recrutamento. Os resultados mostram que a aceitação da tecnologia está fortemente relacionada à presença humana. Enquanto uma parcela relevante dos profissionais não se sentiria confortável com a análise inicial por IA, proporção equivalente aceitaria seu uso desde que houvesse supervisão humana. Apenas 13% se dizem totalmente confortáveis com esse tipo de avaliação.
A abertura à tecnologia é um pouco maior entre os trabalhadores mais jovens. Na Geração Z, 20% afirmam se sentir totalmente confortáveis com uma análise inicial feita por IA. Entre Millennials, são 12%, e entre profissionais da Geração X, 11%. Mesmo entre os mais jovens, porém, a supervisão humana continua aparecendo como uma condição relevante para a aceitação da ferramenta.
“Os dados mostram que a discussão não é simplesmente sobre aceitar ou rejeitar tecnologia. Existe uma expectativa de que ela seja utilizada com contexto, transparência e responsabilidade. Automação, inteligência artificial e análise de dados podem ajudar o RH a ganhar escala e assertividade, mas a decisão sobre pessoas exige critérios claros e participação humana”, comenta Délber Lage.
A percepção dos candidatos ganha relevância em um momento em que diferentes tecnologias passam a apoiar etapas da busca, triagem e avaliação de profissionais. Para a Serasa Experian, esse avanço exige que eficiência e experiência caminhem juntas, evitando que a digitalização torne a jornada mais impessoal ou pouco transparente para quem participa da seleção.
Inteligência de dados é diferencial para apoiar a jornada de contratação
Os resultados da pesquisa mostram que tornar o recrutamento mais assertivo passa tanto pela experiência oferecida ao candidato quanto pela qualidade das informações usadas ao longo da jornada. Nesse contexto, a Serasa Experian atua com soluções de inteligência de dados voltadas a diferentes etapas do processo seletivo.
A ferramenta “Match de Vagas”, por exemplo, apoia empresas na identificação de profissionais com maior compatibilidade com critérios como cargo, região, faixa salarial e escolaridade, ampliando as possibilidades de busca e ativação de candidatos. Já a solução “Conheça seu Colaborador” reúne e contextualiza informações de diferentes fontes para apoiar análises de contratação, Compliance e gestão de riscos, dando mais autonomia ao RH. A ferramenta apoia a tomada de decisão, que permanece sob responsabilidade da empresa e deve considerar o contexto da função, os critérios internos e as obrigações regulatórias aplicáveis.
“O uso de dados ajuda a tornar o processo mais qualificado e eficiente, trazendo mais contexto para a tomada de decisão sem substituir a avaliação humana”, conclui o diretor de Soluções para RH da companhia.
Sobre a pesquisa
A pesquisa “Saúde Financeira dos Trabalhadores Brasileiros” ouviu 1.008 profissionais de empresas públicas, empresas privadas em regime CLT e trabalhadores em regime PJ. As entrevistas foram realizadas por painel online entre 12 e 30 de junho de 2026. O levantamento tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%.














