Pesquisa da Abrasel feita na semana da promulgação da emenda mostra que 31% dos estabelecimentos pretendem contratar até dezembro. A nova escala começa a valer em plena alta temporada, e 88% dos empresários já têm dificuldade para encontrar profissionais
A semana em que o Congresso aprovou e promulgou o fim da escala 6×1 não mudou os planos de contratação dos bares e restaurantes para o fim de 2026. Pesquisa da Abrasel feita entre 13 e 20 de outubro mostra que 31% dos estabelecimentos pretendem ampliar o quadro de funcionários até o fim do ano. Outros 62% planejam manter o número atual e 7% consideram reduzir a equipe.
O levantamento coincidiu com a aprovação da proposta pelo Senado, no dia 14, e com a promulgação da Emenda Constitucional nº 141, dois dias depois. O texto dá 60 dias para a adoção da escala 5×2, com duas folgas semanais e sem redução salarial. A regra passa a valer em meados de dezembro, no auge da temporada de festas e férias.
Entre os que pretendem contratar, 73% citam o aumento da demanda como motivo. O fim da escala 6×1, por sua vez, não aparece entre as razões para abrir vagas, em um cenário em que as mudanças e suas consequências para empresas e pessoas ainda não são de conhecimento geral. As funções mais procuradas são auxiliares de cozinha (77%), atendentes e cumins (54%), garçons (54%) e cozinheiros (43%).
“O fim da 6×1 ainda não chegou aos planos de contratação do setor. Parte dos empresários não tem clareza sobre o que muda na escala e nos custos a partir de dezembro. Outra parte já procura saídas que dispensam novas vagas, como fechar o estabelecimento um ou dois dias por semana. Num setor que trabalha também quando o consumidor está de folga, isso significa menos opção para o consumidor e menos emprego”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.
Falta de profissionais pesa mais com a nova escala
A escala 5×2 tende a ampliar a necessidade de pessoal num mercado que já sofre com pouca oferta. Para 88% dos empresários, contratar é difícil ou muito difícil. A falta de interessados nas vagas é o principal problema para 42% dos entrevistados. Outros 27% apontam a dificuldade de encontrar profissionais qualificados.
Nas funções especializadas, o quadro se agrava. Sushimans e churrasqueiros são difíceis de contratar para 88% dos empresários. O índice chega a 87% para cozinheiros-chefes, 86% para cozinheiros e 82% para gerentes.
Para atrair trabalhadores, 51% dos estabelecimentos planejam oferecer premiações por desempenho. Outros 24% pretendem oferecer benefícios como plano de saúde, bolsas de estudo e vales. A mesma parcela considera flexibilizar os horários de trabalho.
Expectativa de faturamento maior no fim do ano
A maioria dos empresários espera faturar mais no fim de 2026 do que no mesmo período de 2025. São 79% os que projetam crescimento. Desses, 46% esperam alta de até 10%, 25% estimam entre 10% e 30% e 8% preveem mais de 30%. Outros 11% não esperam aumento e 8% projetam queda. Os 2% restantes não existiam no ano passado.
“Férias, verão, confraternizações e festas ampliam as oportunidades para os negócios. O setor também pode se beneficiar do aumento de pessoas ocupadas no país e do avanço do turismo”, diz Solmucci.
Setembro teve mais empresas no prejuízo
Os resultados de setembro mostram que as contas continuam apertadas. A parcela de empresas que operaram no prejuízo subiu de 19% em agosto para 25%. As que tiveram lucro caíram de 40% para 36%, e 39% fecharam o mês em equilíbrio. Na comparação com agosto, 44% faturaram menos, 28% mantiveram o resultado e 28% faturaram mais.
Repassar custos segue difícil. Mais da metade dos empresários (56%) reajustou o cardápio em percentual igual ou inferior à inflação, e 37% não conseguiram aumentar os preços. Outros 37% têm pagamentos em atraso, principalmente impostos federais e estaduais.














