Engenheiros, arquitetos, servidores públicos e empresários estão entre os alvos da segunda fase da Operação Mãos à Obra, deflagrada nesta quarta-feira (28) pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), em Sinop (500 km de Cuiabá). A investigação apura um suposto esquema de corrupção envolvendo a liberação de obras e empreendimentos imobiliários no município, com irregularidades que teriam ocorrido entre 2017 e 2026.
Entre os presos preventivamente estão os engenheiros civis Fernando Dante Morari e Júlio Henrique Verdu Garcia, ambos servidores da Prefeitura de Sinop. Também foram presos os servidores Agnaldo Rael da Silva e Valdinei Monteiro da Silva, este último já investigado na primeira fase da operação, além da empresária Débora Alvarenga Nakanishi da Silva, sócia da Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda.
A lista de alvos inclui ainda as arquitetas Bruna Maia de Freitas e Grazielly Stolarski, o fiscal de obras Samuel de Sousa Vieira e os engenheiros Charles Correia da Costa, Laércio Ronei Schorr e Roni de Souza. Este último também atua como empresário e agente penitenciário.
No setor empresarial, Danielle da Silva Otaviano Garcia e Felipe Gabriel Russo também foram alvos de mandados de busca e apreensão. Antônio Benedito Rodrigues e a empresa Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda. completam a relação de investigados identificados.
Segundo o Gaeco, o esquema envolvia o pagamento de propina a servidores municipais para acelerar a tramitação de processos administrativos, obter pareceres favoráveis, aprovar projetos imobiliários e garantir a emissão de licenças e certificados.
As investigações também apontam que funcionários públicos recebiam dinheiro para deixar de fiscalizar obras irregulares. Conforme a promotora de Justiça Roberta Cheregati Sanches, uma das construtoras investigadas teria pago aproximadamente R$ 2,5 milhões em propina, enquanto 106 imóveis ligados à empresa foram identificados com irregularidades.
A operação resultou no cumprimento de cinco mandados de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão. Durante as diligências, os agentes encontraram uma grande quantidade de dinheiro em espécie, armazenada em malas, bolsas e sacos de lixo na residência de um dos investigados.
A Justiça também determinou o afastamento cautelar de seis agentes públicos, a suspensão das atividades de uma empresa e medidas de bloqueio patrimonial que podem chegar a R$ 80 milhões.
VEJA OS ALVOS DA OPERAÇÃO
Presos preventivamente
Fernando Dante Morari: engenheiro civil da Prefeitura de Sinop.
Júlio Henrique Verdu Garcia: engenheiro civil da Prefeitura de Sinop.
Valdinei Monteiro da Silva: servidor público e alvo da primeira fase da operação.
Agnaldo Rael da Silva: servidor público.
Débora Alvarenga Nakanishi da Silva: empresária e sócia da Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda.
Alvos de busca e apreensão
Antônio Benedito Rodrigues.
Bruna Maia de Freitas: arquiteta.
Grazielly Stolarski: arquiteta e urbanista.
Samuel de Sousa Vieira: fiscal de obras.
Charles Correia da Costa: engenheiro civil.
Danielle da Silva Otaviano Garcia: empresária.
Felipe Gabriel Russo: empresário.
Júlio Henrique Verdu Garcia Júnior.
Laércio Ronei Schorr: engenheiro civil e corretor de imóveis.
Roni de Souza: engenheiro civil, empresário e agente penitenciário.
Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda.: empresa investigada.
Os investigados são suspeitos de crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar os prejuízos causados pelo esquema.
















