A cobrança de propina para liberar obras e acelerar processos administrativos teria se tornado uma prática recorrente dentro da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação de Sinop (500 km de Cuiabá). A avaliação foi apresentada nesta quarta-feira (28) pelo delegado Getúlio Daniel, integrante do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), durante coletiva sobre a segunda fase da Operação Mãos à Obra.
Segundo o delegado, as investigações revelaram que o esquema estava tão enraizado no funcionamento do órgão público que empresários e cidadãos que dependiam dos serviços municipais teriam se acostumado com as exigências ilegais.
“A estrutura dessa organização criminosa impregnou o órgão público de forma tão grave que foi percebido que os servidores, ou a população, ou as pessoas que necessitavam dos serviços públicos estavam acostumados ao tratamento ilícito recebido”, afirmou.
O delegado destacou que a análise dos materiais apreendidos na primeira fase da operação, somada às manifestações da população nas redes sociais, revelou indícios de que a cobrança de vantagens indevidas havia se tornado uma prática habitual no setor.
“Conseguimos vislumbrar que essa prática era uma cultura, um costume impregnado ali naquele setor público”, declarou.
A promotora de Justiça Roberta Cheregati Sanches explicou que as primeiras informações sobre irregularidades envolvendo servidores chegaram ao Gaeco em 2026. Durante as diligências, porém, os investigadores localizaram um inquérito policial instaurado em 2019 que já apontava suspeitas de corrupção no mesmo setor.
A partir dessas informações, o grupo passou a analisar movimentações financeiras e declarações patrimoniais dos servidores investigados.
Segundo Roberta, a análise identificou indícios de incompatibilidade entre os rendimentos declarados por dois funcionários públicos e os valores movimentados em suas contas, além dos bens registrados em seus nomes.
“Com essas diligências, nós já conseguimos, em relação a dois servidores públicos, verificar uma suspeita disparidade entre a renda declarada por esses servidores e a movimentação financeira e até a declaração de bens”, explicou.
A primeira fase da operação permitiu a apreensão de documentos e equipamentos que ampliaram as investigações e levaram à identificação de novos suspeitos.
Nesta quarta-feira, cinco pessoas foram presas preventivamente, sendo três servidores públicos e dois empresários da construção civil.
O Gaeco também apreendeu seis veículos de luxo e encontrou uma grande quantidade de dinheiro em espécie em uma das residências alvo das buscas. No momento da coletiva, os valores ainda estavam sendo contabilizados.
A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens e valores dos investigados, além da suspensão das atividades de uma empresa suspeita de envolvimento no esquema.
A promotora explicou que, além da responsabilização criminal, os servidores poderão responder a procedimentos administrativos e ações por improbidade administrativa, com possibilidade de perda dos cargos, suspensão dos direitos políticos e outras sanções previstas em lei.
As investigações seguem em andamento para esclarecer a extensão do esquema e identificar outros possíveis participantes.
















