Os advogados Pabline Mayara Barbosa Belfort Medeiros, Gerson Tome Trevisol e Felipe Augusto Dorileo de Rezende são os alvos da Operação Reescrita, deflagrada nesta quarta-feira (28), em Cuiabá. Os três são investigados por suspeita de envolvimento na falsificação e utilização de uma decisão judicial que teria como objetivo antecipar a transferência de Arcangelo Gonçalves de Jesus, conhecido como Miro Louco, da Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.
Miro Louco é apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso e acumula condenações por homicídios, roubos, furto e associação para o tráfico de drogas. Entre os crimes pelos quais foi condenado está a execução de um homem por uma dívida de R$ 200, em 2015. Preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, ele já teve pedidos de transferência para Cuiabá negados pela Justiça, que considerou sua periculosidade e os riscos à segurança pública.
As investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco) apontam que, em junho de 2025, foi apresentado um pedido judicial para a transferência do preso. Em dezembro do mesmo ano, dois advogados compareceram ao gabinete de uma unidade judicial em Cuiabá para cobrar o cumprimento de uma suposta decisão que teria sido proferida em novembro.
Na ocasião, os profissionais apresentaram uma cópia do documento, posteriormente encaminhada ao contato institucional do gabinete. Ao verificar o conteúdo, servidores da Justiça descobriram que a decisão não havia sido proferida pelo magistrado e sequer constava no processo.
A análise identificou ainda um código de validação pertencente a outro processo, divergências em relação aos documentos oficiais do sistema eletrônico de execução penal e indícios de edição externa do arquivo.
Conforme a Polícia Civil, uma das advogadas investigadas teria participado da elaboração ou adulteração da decisão, enquanto os outros dois profissionais seriam responsáveis por apresentar e utilizar o documento perante o Judiciário.
As ordens judiciais foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, Polo Cuiabá. As buscas ocorrem em quatro endereços, sendo três residências dos investigados e um escritório de advocacia.
Os policiais procuram celulares, computadores, notebooks, documentos e outros dispositivos que possam esclarecer a origem da decisão supostamente falsificada e a participação de cada investigado.
A operação é acompanhada por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso (OAB-MT).
Os três advogados são investigados pelos crimes de falsificação de documento público, uso de documento falso e integração em organização criminosa. As investigações continuam.
















