quinta-feira, 29 outubro, 2026

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OPERAÇÃO TOMADA DE CONTAS

Braço-direito de Sérgio Ricardo deixa a PF de cabeça baixa e esconde o rosto; veja

Renato Ferreira

A chefe de gabinete do presidente afastado do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Roseli Loss, deixou a sede da Polícia Federal nesta quinta-feira (29), em Cuiabá, de cabeça baixa e cobrindo o rosto dentro de um carro. Presa na Operação Tomada de Contas, ela é apontada pela investigação como a principal operadora de saques em contas vinculadas ao conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, também preso na ação. Ela vai passar por audiência de custódia na Justiça Federal.

A saída do prédio não significa que tenha sido colocada em liberdade. Não foi informado, até o momento, o destino de Roseli após deixar a unidade da PF.

Conforme a decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Roseli ocupa posição de confiança no círculo de Sérgio Ricardo e teria desempenhado funções permanentes na retirada e circulação de dinheiro vivo. As imagens analisadas pelos investigadores registraram saques sob sua responsabilidade que somaram R$ 3.520.600.

Em seis oportunidades, segundo a investigação, os valores foram entregues a Adriangelo Barros Antunes, secretário executivo de comissão permanente e ex-cunhado de Sérgio Ricardo, que também teve a prisão preventiva decretada.

Relação anterior ao gabinete

A proximidade entre Roseli e Sérgio Ricardo antecede sua nomeação como chefe de gabinete, em janeiro de 2024. A decisão registra que ela foi servidora legislativa no período em que o conselheiro era deputado estadual e também trabalhou para uma irmã dele.

Em outubro de 2025, Roseli tornou-se procuradora bancária de Sérgio Ricardo. Os investigadores apontam, porém, que ela já realizava saques em contas vinculadas ao presidente desde 2024. Entre os episódios citados estão retiradas de R$ 200 mil em fevereiro e de R$ 340 mil em abril daquele ano.

A decisão também descreve procedimentos realizados por Roseli em aparelho celular que a PF interpreta como utilização da biometria facial de Sérgio Ricardo. Segundo a investigação, ela operava contas das quais não era titular e movimentava recursos sem possuir vínculo bancário próprio relevante com a cooperativa.

Ao determinar a prisão, Og Fernandes considerou que a relação de confiança, o acesso às contas e a atuação nas operações financeiras representavam risco à coleta de provas e à continuidade da investigação.

 

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