quinta-feira, 29 outubro, 2026

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OPERAÇÃO NO TCE-MT

PF apreende relógio semelhante a Richard Mille de até R$ 2 milhões, marca usada por Neymar e Jay-Z

Renato Ferreira/Patrícia Neves

A apreensão de 64 relógios pela Polícia Federal, nesta quinta-feira (29), em Cuiabá, chamou atenção para a ostentação entre os alvos da Operação Tomada de Contas, que investiga suspeitas de irregularidades em contratos e pagamentos do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). Distribuídas em quatro conjuntos, as peças se somam a joias, dinheiro em reais, dólares e euros e dezenas de garrafas de vinho recolhidos durante as diligências.

Entre os relógios, um exemplar preto, com mecanismo aparente, apresenta características semelhantes às de modelos da Richard Mille, marca suíça usada por celebridades como Neymar e o rapper Jay-Z. A identificação, a autenticidade e o valor da peça ainda dependem de confirmação. Não há avaliação oficial que permita atribuir ao relógio apreendido a estimativa de até R$ 2 milhões.

Os conjuntos reuniam 18, 11, 11 e 24 relógios. As imagens também mostram exemplares com aparência semelhante a modelos da Audemars Piguet e da Hublot, fabricantes do mercado de alto luxo. O valor total das peças e a propriedade de cada uma não foram informados.

A Richard Mille ganhou projeção nos pulsos de atletas e artistas. Neymar já apareceu com um RM 68-01 Tourbillon Cyril Kongo, edição limitada a 30 unidades. A quantidade de relógios e os demais bens recolhidos integram o conjunto de apreensões da ação que levou à prisão preventiva do presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida. As buscas alcançaram imóveis e dependências do tribunal.

Também foram relacionados como alvos de mandados de prisão preventiva Roseli Loss, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, Adriangelo Barros Antunes, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke.

Mais de 180 policiais federais participam do cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. As medidas foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e incluem afastamento de sigilos e sequestro de bens.

Segundo a PF, a investigação apura indícios de que a suspensão de contratos administrativos teria sido utilizada para pressionar fornecedores, além de possível tratamento diferenciado na liberação de recursos públicos.

Os investigadores também examinam divergências nos pagamentos a empresas, movimentações financeiras atípicas de servidores e saques recorrentes em espécie, buscando esclarecer possíveis relações entre créditos bancários e retiradas realizadas nas dependências do tribunal.

No mandado de busca na sede do TCE, o ministro Og Fernandes autorizou a apreensão de dinheiro em espécie acima de R$ 10 mil e de bens de elevado valor quando houver elementos concretos que indiquem relação com os fatos investigados.

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