A circulação de listas que incentivam boicotes a empresas, comerciantes e profissionais por suas preferências políticas após o segundo turno das eleições, realizado no domingo (25), provocou reação de entidades empresariais e órgãos ligados ao sistema de Justiça. Em Mato Grosso, conforme já publicado pelo Muvuca Popular, a Polícia Civil investiga a exposição de comerciantes em Confresa, enquanto uma cantora anunciou que pretende deixar Sinop após voltar a sofrer perseguição política.
O material compartilhado em redes sociais e aplicativos de mensagens associa pessoas e estabelecimentos a candidatos ou partidos e estimula retaliações econômicas. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) repudiou a prática em nota divulgada na quarta-feira (28) e alertou que campanhas desse tipo atingem também os trabalhadores que dependem dos negócios para sustentar suas famílias.
Em Confresa, cinco vítimas procuraram a delegacia após terem seus nomes ou estabelecimentos incluídos nas listas. Segundo a Polícia Civil, as publicações eram acompanhadas de mensagens que incentivavam boicotes e represálias por supostas preferências político-partidárias.
A investigação busca identificar os responsáveis pela elaboração e divulgação do material, além de apurar possíveis ameaças, perseguição e ofensas à honra. O trabalho é conduzido pela Delegacia de Confresa, com apoio do Núcleo de Inteligência da Delegacia Regional de Vila Rica e em articulação com o Ministério Público. A nota policial não informou qual candidato era apoiado pelas pessoas expostas.
Outro caso noticiado pelo Muvuca Popular envolve a cantora Allane Carvalho, de Sinop, a 500 km de Cuiabá. A artista anunciou que pretende deixar a cidade com a namorada depois de ter o nome novamente incluído em uma lista de boicote a pessoas apontadas como apoiadoras do PT.
Conforme a reportagem, Allane havia manifestado apoio a Flávio Bolsonaro (PL) nas redes sociais, mas, mesmo assim, foi associada ao partido adversário. Ela relatou que enfrentou situação semelhante nas eleições de 2022 e afirmou que pretende organizar a mudança após cumprir os compromissos profissionais pendentes.
A Abrasel destacou que reúne empresários de diferentes correntes políticas e defendeu o direito de empreender, trabalhar e manifestar opiniões sem constrangimentos. A entidade também advertiu que a divulgação de listas destinadas a prejudicar estabelecimentos pode configurar ato ilícito e resultar em ações judiciais.
Na mesma manifestação, a associação ressaltou que o consumidor tem liberdade para escolher onde comprar, comer ou beber, mas que estabelecimentos também não podem discriminar clientes nem recusar atendimento por posicionamento político ou ideológico.
A reação alcança ainda o ambiente de trabalho. Segundo as informações divulgadas pelo Ministério Público do Trabalho, publicações nas plataformas digitais passaram a incentivar empregadores a investigar o voto de funcionários, deixar de contratar e demitir trabalhadores por divergências eleitorais. O órgão ingressou com ação civil pública para cobrar da Meta a retirada de conteúdos de assédio eleitoral.
A OAB de Tocantins também repudiou listas que expõem empresas, profissionais e cidadãos por suas convicções políticas. A entidade defendeu a pluralidade de ideias e alertou que divergências eleitorais não justificam perseguição econômica, constrangimento ou restrição de direitos.
Em Mato Grosso, a orientação da Polícia Civil é não compartilhar as listas. Pessoas que tiverem seus nomes ou negócios expostos, ou que receberem ameaças, devem registrar boletim de ocorrência para permitir a apuração dos fatos.
















