sexta-feira, 30 outubro, 2026

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COFRES DA CORRUPÇÃO

PF apreende R$ 4,3 milhões, 167 relógios e 112 vinhos em operação que prendeu presidente do TCE

Nickolly Vilela

A Polícia Federal apreendeu R$ 4,3 milhões em espécie, além de dinheiro em cinco moedas estrangeiras, 167 relógios, 112 garrafas de vinho e 31 veículos durante a Operação Tomada de Contas, deflagrada nesta quinta-feira (29). A ação resultou na prisão preventiva do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, e de outras cinco pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema de corrupção na Corte de Contas.

O balanço final divulgado pela PF aponta a apreensão de R$ 4.360.607 em moeda brasileira, além de 106.865 dólares, 19.870 euros, 2 mil libras esterlinas e 3.650 pesos argentinos. Também foram recolhidos 27 celulares, 16 armas de fogo e 6.512 munições.

Além de Sérgio Ricardo, foram presos preventivamente Roseli Loss, Adriangelo Barros Antunes, Grhegory Paiva Pires Moreira, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke.

A operação mobilizou mais de 180 policiais federais para o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. As medidas foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e incluíram sequestro de bens e afastamento de sigilos.

Em Cuiabá, as equipes realizaram buscas na sede do TCE-MT e no apartamento de luxo onde Sérgio Ricardo mora, localizado na Avenida Historiador Rubens de Mendonça, conhecida como Avenida do CPA. A movimentação policial também chamou atenção pela utilização de um Camaro durante as diligências na sede do tribunal.

Imagens das apreensões mostraram mesas cobertas por maços de dinheiro, caixas com cédulas em espécie, joias, relógios de luxo e dezenas de garrafas de vinho. Parte do dinheiro foi encontrada com um assessor do presidente do TCE, também alvo da investigação.

ESQUEMA INVESTIGADO

Segundo a Polícia Federal, a investigação apura suspeitas de utilização de contratos administrativos do Tribunal de Contas como instrumento de pressão sobre fornecedores. A suspeita é de que contratos fossem suspensos ou tivessem pagamentos retidos para favorecer determinados interesses, enquanto outros fornecedores recebiam tratamento diferenciado na liberação de recursos públicos.

Os investigadores também identificaram indícios de irregularidades em pagamentos realizados a empresas e servidores públicos, além de movimentações financeiras consideradas atípicas.

Outro ponto investigado envolve saques recorrentes de grandes quantias em dinheiro vivo. A PF apura possíveis relações entre créditos bancários e retiradas em espécie realizadas nas dependências da instituição, buscando identificar a origem, o destino e os beneficiários dos recursos.

As suspeitas envolvem possíveis crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

ARMAS E DROGAS

Além do dinheiro e dos artigos de luxo, a quantidade de armamentos apreendidos chamou atenção no balanço final. Foram recolhidas 16 armas e 6.512 munições durante o cumprimento dos mandados.

A Polícia Federal também registrou uma ocorrência de flagrante relacionada a armas de fogo e lavrou um termo circunstanciado envolvendo drogas. Não foram divulgados detalhes sobre os envolvidos nesses procedimentos.

Os materiais apreendidos serão analisados no decorrer das investigações, que buscam esclarecer a participação de cada suspeito no suposto esquema de corrupção envolvendo a Corte de Contas de Mato Grosso.

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