Welinton Gabriel da Silva Lacerda foi condenado a 30 anos e quatro meses de prisão, em regime inicial fechado, nesta terça-feira (3), em Cuiabá, pela participação no assassinato do comerciante Josionaldo Ferreira de Araújo, de 46 anos. A vítima foi morta a tiros dentro do Shopping Popular, no bairro Dom Aquino, na noite de 19 de dezembro de 2022.
O Tribunal do Júri acolheu a acusação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e condenou Welinton por organização criminosa e homicídio qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
Segundo a denúncia, Josionaldo foi morto por supostamente vender cigarros contrabandeados sem a autorização de uma facção. O Ministério Público aponta Gabriel Mota Braga como mandante do crime. Ele teria ordenado a execução para manter o controle da organização sobre a venda ilegal de cigarros na região.
A acusação sustenta que integrantes da facção, alguns deles presos, participaram do planejamento. A Polícia Civil identificou, após analisar celulares e cruzar dados telefônicos, uma ligação em conferência entre os envolvidos momentos antes do assassinato. A suspeita é de que a chamada tenha servido para acertar detalhes da execução.
Dupla se passou por cliente
De acordo com a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Wenderson Santos Souza e Bruno Fernandes de Souza Costa chegaram ao Shopping Popular sem saber quem era o alvo. Imagens de câmeras de segurança mostraram que a dupla manteve contato com uma terceira pessoa para identificar o comerciante.
Os dois se aproximaram de Josionaldo em frente a uma das lojas que ele mantinha no shopping e se passaram por clientes. Segundo a investigação, Bruno chamou a atenção do comerciante e, quando ele se virou, Wenderson atirou. A dupla fugiu e entrou em confronto com policiais militares da Cavalaria. Wenderson morreu durante a ação e Bruno foi preso em flagrante.
Bruno afirmou em depoimento que havia ido ao local para cobrar uma dívida e que desconhecia a intenção de Wenderson de matar o comerciante. Em novembro de 2024, foi condenado pelo Tribunal do Júri de Cuiabá a 24 anos e quatro meses de prisão.
A investigação levou à deflagração da Operação Unity, em agosto de 2023, para cumprir nove mandados contra suspeitos de participação no crime. Segundo o MPMT, outros acusados ainda aguardam julgamento enquanto recorrem de decisões em instâncias superiores.
O julgamento de Welinton foi o primeiro realizado em Cuiabá pelo Projeto Mais Júri, iniciativa voltada a ampliar o número de julgamentos e reduzir o acúmulo de processos por crimes dolosos contra a vida.









