Parte do dinheiro sacado por investigados no suposto esquema de desvio de recursos públicos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) teria sido deixada sob a guarda de funcionárias de uma agência bancária instalada dentro do próprio órgão. Segundo a Polícia Federal (PF), imagens de segurança mostram um assessor da Presidência devolvendo dinheiro a uma atendente da agência, que teria registrado a quantia em um caderno guardado na gaveta.
O esquema foi revelado pela Operação Tomada de Contas, da Polícia Federal, que investigou um esquema de desvio de dinheiro Público no TCE. Entre os alvos está o presidente do Tribunal, Sérgio Ricardo, que está preso desde a última semana,
Segundo as investigações, em outubro de 2025, Felipe José Glinke, assessor jurídico da Presidência do TCE, foi flagrado assinando um documento aparentemente em branco, recebido dinheiro em espécie e devolvido parte do valor à funcionária da cooperativa financeira.
Em seguida, a quantia teria sido anotada em um caderno mantido na gaveta da atendente. A movimentação chamou a atenção dos investigadores, que passaram a apurar a possível existência de um “circuito paralelo de guarda” de dinheiro dentro da agência.
A PF também identificou outros procedimentos considerados atípicos na agência, como a liberação de saques sem apresentação de cartão ou digitação de senha e a contagem antecipada de dinheiro, antes mesmo da chegada de quem faria a retirada.
Outro episódio envolvendo Felipe ocorreu em setembro de 2025. Segundo a decisão, ao perceber a presença de uma terceira pessoa nas proximidades dos caixas, o assessor teria feito um sinal para que a operação fosse adiada. Ele só retornou para receber o dinheiro depois que a pessoa deixou o local. Para os investigadores, a atitude indica uma possível preocupação em evitar que terceiros presenciassem a movimentação.
Felipe também aparece nas investigações por movimentações financeiras que somam R$ 9,9 milhões. Desse total, R$ 9,67 milhões teriam sido recebidos por meio de 80 ordens bancárias avulsas, distribuídas entre oito contas de seis instituições financeiras.
Diante dos registros, o Ministério Público Federal (MPF) manifestou preocupação com a possibilidade de interferência na produção de provas, especialmente pelo contato dos investigados com as funcionárias responsáveis pelos atendimentos bancários.
Entre as medidas propostas pela Procuradoria estão a proibição de contato com empregados do Sicoob e restrições de acesso ao posto bancário instalado no TCE.
Operação Tomada de Contas
A Polícia Federal deflagrou a Operação Tomada de Contas na quinta-feira, 29 de outubro de 2026, e cumpriu seis mandados de prisão preventiva. Foram presos o então presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, além de Roseli Loss, Adriangelo Barros Antunes, Grhegory Paiva Pires Moreira, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke. A operação investiga suspeitas de irregularidades em contratos administrativos e pagamentos a servidores do tribunal.









