quarta-feira, 4 novembro, 2026

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OPERAÇÃO TOMADA DE CONTAS

PF flagra assessor devolvendo dinheiro a bancária em agência dentro do TCE

Thalyta Amaral

Parte do dinheiro sacado por investigados no suposto esquema de desvio de recursos públicos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) teria sido deixada sob a guarda de funcionárias de uma agência bancária instalada dentro do próprio órgão. Segundo a Polícia Federal (PF), imagens de segurança mostram um assessor da Presidência devolvendo dinheiro a uma atendente da agência, que teria registrado a quantia em um caderno guardado na gaveta.

O esquema foi revelado pela Operação Tomada de Contas, da Polícia Federal, que investigou um esquema de desvio de dinheiro Público no TCE. Entre os alvos está o presidente do Tribunal, Sérgio Ricardo, que está preso desde a última semana,

Segundo as investigações, em outubro de 2025, Felipe José Glinke, assessor jurídico da Presidência do TCE, foi flagrado assinando um documento aparentemente em branco, recebido dinheiro em espécie e devolvido parte do valor à funcionária da cooperativa financeira.

Em seguida, a quantia teria sido anotada em um caderno mantido na gaveta da atendente. A movimentação chamou a atenção dos investigadores, que passaram a apurar a possível existência de um “circuito paralelo de guarda” de dinheiro dentro da agência.

A PF também identificou outros procedimentos considerados atípicos na agência, como a liberação de saques sem apresentação de cartão ou digitação de senha e a contagem antecipada de dinheiro, antes mesmo da chegada de quem faria a retirada.

Outro episódio envolvendo Felipe ocorreu em setembro de 2025. Segundo a decisão, ao perceber a presença de uma terceira pessoa nas proximidades dos caixas, o assessor teria feito um sinal para que a operação fosse adiada. Ele só retornou para receber o dinheiro depois que a pessoa deixou o local. Para os investigadores, a atitude indica uma possível preocupação em evitar que terceiros presenciassem a movimentação.

Felipe também aparece nas investigações por movimentações financeiras que somam R$ 9,9 milhões. Desse total, R$ 9,67 milhões teriam sido recebidos por meio de 80 ordens bancárias avulsas, distribuídas entre oito contas de seis instituições financeiras.

Diante dos registros, o Ministério Público Federal (MPF) manifestou preocupação com a possibilidade de interferência na produção de provas, especialmente pelo contato dos investigados com as funcionárias responsáveis pelos atendimentos bancários.

Entre as medidas propostas pela Procuradoria estão a proibição de contato com empregados do Sicoob e restrições de acesso ao posto bancário instalado no TCE.

Operação Tomada de Contas

A Polícia Federal deflagrou a Operação Tomada de Contas na quinta-feira, 29 de outubro de 2026, e cumpriu seis mandados de prisão preventiva. Foram presos o então presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, além de Roseli Loss, Adriangelo Barros Antunes, Grhegory Paiva Pires Moreira, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke. A operação investiga suspeitas de irregularidades em contratos administrativos e pagamentos a servidores do tribunal.

 

 

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