Segundo a Polícia Civil, um grupo investigado por furtar caixas eletrônicos em Cuiabá e Várzea Grande utilizava produtos químicos para limpar as notas antes de depositá-las em contas bancárias. O esquema é alvo da Operação Círculo Vicioso, deflagrada nesta quinta-feira (5), com o cumprimento de 74 medidas judiciais em Mato Grosso, Santa Catarina e Maranhão.
Conforme a investigação, a organização tinha integrantes responsáveis especificamente por remover a tinta liberada pelo mecanismo de proteção dos caixas eletrônicos. O dispositivo mancha as cédulas para inutilizá-las durante os ataques, mas os suspeitos realizavam procedimentos para retirar essa marcação e colocar o dinheiro novamente em circulação.
Depois da limpeza, os valores eram divididos em depósitos menores, feitos em diferentes agências bancárias. A estratégia, conhecida como fracionamento, buscava dificultar a identificação da origem criminosa dos recursos. As quantias eram destinadas a contas de integrantes do grupo e de terceiros.
A estrutura investigada dividia tarefas entre os responsáveis pelos arrombamentos, pela limpeza das notas, pelo uso de equipamentos tecnológicos e pelo recebimento do dinheiro. Imagens de segurança das instituições financeiras ajudaram a polícia a identificar suspeitos envolvidos nas diferentes etapas.
As apurações começaram após um furto registrado em 21 de janeiro deste ano, em um supermercado no bairro Praia Grande, em Várzea Grande. Na ocasião, os criminosos utilizaram uma lança térmica, ferramenta industrial capaz de cortar materiais resistentes, para romper o cofre de um caixa eletrônico.
Mesmo com o acionamento do sistema que libera tinta sobre as notas, foram levados R$ 105 mil. Ao aprofundar a investigação, a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) identificaram seis furtos com características semelhantes, cometidos entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026.
Nos ataques, os suspeitos arrombavam paredes e utilizavam lonas para esconder a luminosidade produzida pela lança térmica durante o corte dos cofres. Segundo a polícia, parte dos integrantes morava em outros estados, especialmente em Santa Catarina, e se deslocava para Mato Grosso para executar os crimes.
A operação cumpre dez mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão, 18 autorizações de acesso a dados de dispositivos eletrônicos, 15 quebras de sigilo bancário e 13 ordens de bloqueio de ativos financeiros. Os alvos estão em Cuiabá, Rondonópolis, Joinville (SC) e São Luís (MA).
A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 239.980,52, montante correspondente aos prejuízos quantificados em quatro dos seis furtos investigados. O valor poderá ser revisto conforme o avanço das análises financeiras.









