quarta-feira, 4 novembro, 2026

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TRÁFICO INTERNACIONAL

Grupo alvo da PF movimentou R$ 500 milhões e usava drones e blindados

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Uma organização criminosa investigada por tráfico internacional de drogas e armas teria movimentado mais de R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos, utilizando empresas de fachada, negócios simulados e contas bancárias de terceiros para ocultar a origem do dinheiro. Os detalhes foram divulgados pela Receita Federal nesta quarta-feira (4), durante a Operação Ifrit, realizada em conjunto com a Polícia Federal em sete estados, incluindo Mato Grosso.

As investigações apontam que o esquema era comandado por um núcleo familiar formado por três irmãos, seus filhos e outros parentes. O grupo teria atuação criminosa desde pelo menos 2018, com ramificações internacionais, estrutura de segurança armada e capacidade logística para movimentar grandes quantidades de entorpecentes e armamentos.

Um dos pontos que chamam a atenção dos investigadores é o aparato utilizado pela organização para proteger suas atividades. Conforme a Receita Federal, o grupo empregava veículos blindados, drones, equipamentos de comunicação, armamentos de elevado poder ofensivo e estruturas destinadas a abrigar integrantes armados em regiões de fronteira.

A investigação também identificou indícios de colaboração de agentes públicos, que teriam repassado informações estratégicas e prestado apoio às atividades criminosas. Além disso, foram encontrados elementos que apontam vínculos operacionais com facções criminosas.

Dinheiro circulava por empresas e negócios simulados

O rastreamento financeiro revelou movimentações superiores a R$ 500 milhões em cerca de dois anos. Segundo a Receita Federal, os valores teriam passado por contas de investigados, operadores financeiros, empresas de fachada e negócios simulados.

As análises identificaram indícios de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e utilização de pessoas interpostas para dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis pelos recursos.

Drogas e armas vinham de três países

De acordo com a investigação, os entorpecentes e armamentos eram adquiridos principalmente na Bolívia, no Paraguai e no Peru. As cargas entravam no Brasil pela faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul e seguiam para diferentes estados, especialmente São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Os investigadores também identificaram indícios de que o território brasileiro era utilizado como rota de armazenamento e transporte de drogas destinadas à Europa, principalmente Espanha e Portugal.

A Receita Federal informou que apreensões de drogas, armas e munições realizadas em diferentes estados ajudaram a confirmar elementos da investigação. Também foram identificados episódios de violência associados à atuação do grupo.

Relógios de luxo, dólares, fuzis e veículos apreendidos

Durante as diligências desta quarta-feira, agentes federais apreenderam relógios de luxo, incluindo um Rolex dourado, maços de dinheiro em reais e dólares, armas de fogo, fuzis, munições e veículos de alto valor. Entre os automóveis recolhidos estão uma caminhonete Mitsubishi L200 Triton e um Ford Mustang associado a um policial civil investigado.

Em Campo Grande, policiais também realizaram buscas em uma funilaria, de onde foram retirados veículos antigos, incluindo um Ford da década de 1920 e um jipe Willys/Overland de 1958.

A Justiça Federal determinou medidas patrimoniais envolvendo aproximadamente 160 imóveis e mais de 150 veículos, além de bloqueios bancários de até R$ 300 milhões. Os valores representam o alcance das determinações judiciais, não necessariamente o total efetivamente apreendido ou bloqueado.

Prisões e atuação em Mato Grosso

A operação também resultou em prisões. Conforme balanço divulgado no final da manhã, 16 mandados de prisão haviam sido cumpridos, sendo nove em Mato Grosso do Sul, três em Santa Catarina, dois em São Paulo, um no Paraná e um em Mato Grosso. Outras três prisões em flagrante foram registradas, inclusive uma em território mato-grossense.

Em Mato Grosso, as diligências ocorreram em Rondonópolis.

A Justiça ainda determinou o afastamento de três policiais civis de Mato Grosso do Sul suspeitos de envolvimento com a organização.

As investigações continuam para identificar a extensão da estrutura financeira e operacional do grupo, assim como a participação de agentes públicos e outros envolvidos.

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