ESFORÇO CONJUNTO
Botelho critica politização de operação no Rio e cobra aprovação de PEC: “Crime organizado é problema do Brasil inteiro”
Kamila Araújo
O deputado Eduardo Botelho (União Brasil), criticou nesta terça-feira (29) a politização das ações de segurança pública no país, em referência à megaoperação policial no Rio de Janeiro que já deixou mais de 200 mortos. O parlamentar defendeu a necessidade de uma estratégia nacional unificada de combate ao crime organizado e cobrou a aprovação, no Congresso Nacional, da PEC da Segurança Pública.
Botelho afirmou ser favorável à realização das operações, mas condenou o uso político do tema. “Concordo com a operação, mas não com a politização. O governo está fazendo politicagem em cima de um assunto sério, dizendo que vai reunir apenas governadores de direita para discutir segurança. Isso é um erro. Segurança é problema de todos — de esquerda, de direita e de centro. É um problema do Brasil inteiro”, declarou o deputado.
Para ele, a ação no Rio de Janeiro ignora o que considera o ponto central do enfrentamento ao crime organizado: o bloqueio das finanças das facções.
“Não adianta matar centenas de pessoas se o dinheiro continua circulando. Enquanto houver estrutura financeira, eles vão se reorganizar. É preciso envolver a Polícia Federal, o Coaf e todos os órgãos de investigação financeira, caso contrário, a operação vira enxugar gelo”, criticou.
Botelho ressaltou que Mato Grosso também enfrenta o avanço das facções criminosas e que a solução não pode ser isolada por estados.
“As facções estão crescendo em todo o país, inclusive aqui em Mato Grosso. Precisamos de uma política nacional de segurança, com integração entre os estados e o governo federal. Por isso, é fundamental que o Congresso aprove a PEC da Segurança, para que o combate ao crime organizado tenha estrutura permanente e atuação conjunta”, defendeu.
A PEC da Segurança Pública — em tramitação no Congresso — prevê a criação de um Sistema Nacional de Segurança com regras unificadas de atuação entre União, estados e municípios, além de investimentos obrigatórios e integração de dados e forças policiais.
Ao concluir, Botelho voltou a pedir que o tema seja tratado com seriedade, sem divisões ideológicas.
“Segurança pública não tem partido. É vida, é o direito de ir e vir do cidadão. Precisamos de união, e não de discursos políticos sobre um problema que atinge o país inteiro”, afirmou.



