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DESAFIO

Infraestrutura ainda limita competitividade de Mato Grosso, aponta ranking da CNT

Kamila Araújo

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Mato Grosso segue como uma das principais potências do agronegócio brasileiro, mas a qualidade da infraestrutura logística do estado ainda não acompanha o ritmo da produção. O novo ranking da Confederação Nacional do Transporte (CNT) revela um país profundamente desigual, no qual poucas unidades da federação conseguem oferecer rodovias e corredores de escoamento compatíveis com o volume de riquezas que produzem.

No levantamento, São Paulo aparece isolado na liderança, com nota 4,3 em uma escala que vai até 5. O desempenho paulista é atribuído ao modelo consolidado de concessões privadas, que garante manutenção permanente das rodovias e maior eficiência para a indústria e o comércio.

O destaque estratégico, porém, ficou com o vizinho Mato Grosso do Sul, que ocupa a 2ª posição com nota 3,7. Para a CNT, o resultado demonstra que estados fortemente dependentes do agronegócio vêm acelerando investimentos para reduzir gargalos históricos, já que a competitividade das exportações depende diretamente do custo do frete e do tempo de viagem.

Desafio mato-grossense
Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos, aparece no ranking em situação intermediária. O estado concentra grande parte da produção de soja, milho e algodão do país, mas ainda convive com trechos críticos de rodovias, falta de integração ferroviária e dependência do modal rodoviário para chegar aos portos.

Especialistas avaliam que, sem avanços mais rápidos em duplicações, pavimentação e terminais intermodais, o custo logístico continuará pressionando a renda do produtor e a competitividade das cadeias locais. A CNT ressalta que regiões exportadoras precisam de corredores contínuos e previsíveis para sustentar o crescimento.

Norte sofre com isolamento
Na outra ponta do ranking, Acre e Amazonas ilustram o quadro mais dramático da infraestrutura brasileira. O Acre ocupa a 27ª e última colocação, enquanto o Amazonas aparece em 26º lugar. Nessas regiões, o transporte é mais caro, os prazos são longos e a população paga mais pelos produtos que consome.

Para a confederação, a distância entre o Sudeste e o Norte revela um problema estrutural: enquanto áreas industrializadas contam com rodovias concedidas e bem conservadas, boa parte da Amazônia legal ainda depende de vias precárias e de difícil trafegabilidade.

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