PAUTA POLÊMICA
“Todos nós vamos pagar essa conta”, afirma senadora de MT sobre fim da escala 6×1
Thalyta Amaral e Renato Ferreira
Declaradamente contra o fim da escala 6×1, a senadora Margareth Buzetti voltou a criticar a redução na carga horária do trabalhador, o que causaria prejuízos, segundo a parlamentar, não apenas no setor privado como no serviço público. “Todos nós vamos pagar essa conta”.
“Nós já temos um serviço público ineficiente em muitas áreas. Agora pensa na saúde, como é que será você tirar quatro horas de cada trabalhador? Todos nós precisamos do serviço de saúde, de segurança, de educação”, questionou a senadora.
Ela ainda enfatizou que o país tem suas deficiências e não está em condições de aumentar gastos. “Nós somos um país pobre, não adianta dizer que nós somos um país desenvolvido porque não somos. Estamos em desenvolvimento. E aí nós vamos querer ter as relações de trabalho como o dos países ricos”.
Segundo a senadora, o aumento de gastos também ocorrerá no serviço público, já que, com a redução de jornada, será necessário fazer mais contratações. “A contratação, porque a coleta de lixo acaba acontecendo, a saúde tem que ser atendida 24 horas por dia, vai ter que contratar, vai subir [os custos] e muito”.
Buzzetti enfatizou ainda que esses gastos extras irão pesar também para os gestores, por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece um limite para as despesas com pessoal. “E a responsabilidade fiscal, como fica, com aumento desse serviço público”.
O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força no Congresso Nacional após a apresentação de propostas que buscam alterar a jornada de trabalho prevista na Consolidação das Leis do Trabalho. Atualmente, a legislação permite que o trabalhador atue por seis dias consecutivos com um dia de descanso semanal.
A proposta em discussão pretende reduzir essa lógica, ampliando os períodos de descanso e diminuindo a carga semanal de trabalho. Defensores argumentam que a mudança pode melhorar a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores, enquanto críticos afirmam que a medida pode aumentar custos para empresas e para o poder público, além de exigir novas contratações para manter serviços essenciais funcionando.



