60 TONELADAS POR HABITANTE
Mato Grosso lidera emissões per capita mesmo com queda histórica de poluição no Brasil
Muvuca Popular com Agência Brasil
Mesmo com a redução expressiva das emissões de gases de efeito estufa no Brasil em 2024, Mato Grosso segue como um dos principais destaques negativos no cenário ambiental. O estado lidera as emissões per capita no país, com média de 60 toneladas de gás carbônico equivalente por habitante, número que supera, com folga, índices de países como Estados Unidos e Arábia Saudita.
Os dados fazem parte de relatório divulgado pelo Observatório do Clima, com base no Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG). Em nível nacional, o Brasil registrou queda de 16,7% nas emissões brutas em 2024, totalizando 2,145 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, a segunda maior redução desde o início da série histórica, em 1990.
Apesar do avanço, Mato Grosso aparece como o segundo maior emissor em volume absoluto, com 231 milhões de toneladas, atrás apenas do Pará. O desempenho está diretamente ligado ao perfil econômico do estado, marcado por forte presença da agropecuária e pela pressão sobre áreas de vegetação nativa.
A queda nacional foi impulsionada principalmente pela redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, que resultou em diminuição de 32,5% nas emissões relacionadas à mudança de uso da terra. Ainda assim, o Brasil permanece entre os maiores emissores globais nesse quesito.
O relatório também acende alerta para o impacto dos incêndios florestais, que atingiram, em 2024, o maior nível da série histórica, com 241 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Caso esses dados fossem incorporados integralmente ao inventário oficial, poderiam praticamente dobrar as emissões líquidas associadas ao uso da terra.
Outros setores da economia apresentaram estabilidade ou crescimento nas emissões. Energia, processos industriais e resíduos tiveram alta, enquanto a agropecuária registrou leve queda.
A projeção para 2025 indica que o Brasil pode não cumprir a meta estabelecida no Acordo de Paris, reforçando a necessidade de ampliar as ações de controle, especialmente em áreas como incêndios florestais, energia e indústria, setores que ainda avançam em emissões mesmo diante da redução do desmatamento.



