DENÚNCIA VAZIA
Prefeito descarta venda de Mounjaro na rede pública: “recomendar é diferente de vender”
Renato Ferreira
A investigação aberta pela Prefeitura de Cuiabá após denúncia pública de uma paciente não encontrou qualquer indício de tentativa de venda do medicamento Mounjaro dentro da rede municipal de saúde. A informação foi confirmada pelo prefeito Abilio Brunini, que classificou a acusação como inconsistente e fez uma defesa direta da conduta médica.
“A nossa investigação interna não tá apontando que houve ou qualquer tentativa de venda de medicamento dentro das nossas unidades de saúde. E que a médica não tentou vender esse medicamento para ela”, afirmou.
O caso ganhou repercussão após a paciente Viviane Siqueira Santana interromper um evento público para relatar que teria sido orientada a usar o medicamento, alegando que houve tentativa de venda por parte de uma profissional da rede. Diante da gravidade da denúncia, o prefeito determinou apuração imediata e registro do caso.
Com o avanço das diligências, no entanto, a gestão municipal sustenta que houve, possivelmente, uma interpretação equivocada da conduta médica.
“Recomendar é diferente de vender. Ofertar uma receita, um medicamento, para o tratamento de saúde, é diferente de vender”, destacou Abilio.
Segundo ele, médicos têm autonomia para indicar tratamentos, inclusive com medicamentos fora da lista padronizada do SUS, o que não configura irregularidade.
“Um médico pode receitar um medicamento fora da lista do município? Pode recomendar, não tem problema nenhum. Qualquer médico é liberado para fazer a recomendação que entender necessária”, disse.
O prefeito também chamou atenção para fragilidades na acusação, apontando que a paciente não identificou qual profissional teria cometido a suposta irregularidade, mesmo tendo passado por vários atendimentos.
“Essa paciente passou por no mínimo cinco médicos. Não tem como você saber qual foi o médico que ela está acusando. É uma acusação muito vazia”, disparou.
Abilio ainda revelou que, após o episódio, a paciente foi convidada a formalizar a denúncia junto à polícia, mas não compareceu para registrar boletim de ocorrência. Ainda assim, a prefeitura fez o encaminhamento do caso.
“A gente foi chamar a paciente para fazer o boletim de ocorrência, ela não quis ir. Mas nós fizemos o registro. Agora cabe à polícia investigar”, afirmou.
A gestão também informou que o caso será encaminhado ao Conselho Regional de Medicina (CRM), com o objetivo de garantir a apuração técnica e resguardar a profissional envolvida.
“Vamos encaminhar ao Conselho Regional de Medicina também para defender a profissional que talvez possa ser acusada”, completou.
O prefeito ainda levantou a hipótese de que a paciente possa ter interpretado de forma equivocada a orientação recebida durante a consulta. “De repente, a médica chegou e falou: ‘vou te recomendar o medicamento’ e ela entendeu errado, achou que estavam tentando vender”, disse.
Abilio reforçou que denúncias graves devem ser tratadas com responsabilidade para não comprometer casos legítimos. “Esse tipo de acusação prejudica denúncias sérias, de pacientes que realmente têm problemas reais para relatar”, concluiu.
O caso segue sob análise das autoridades competentes.


