NOVE FEMINCÍDIOS NESTE ANO
Vítima de feminicídio estava separada há cinco dias do suspeito; Mulher tinha dois filhos
Muvuca Popular
Luiza Regina Oliveira Zanoni, de 29 anos, assassinada a facadas dentro de casa, na quinta-feira (26), no bairro Pedra 90, em Rondonópolis, estava separada do ex-marido há apenas cinco dias. De acordo com a Polícia Civil, a vítima, foi atingida por diversos golpes de faca após um desentendimento com o ex-companheiro. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local. Luiz tinha dois filhos, de 13 e 9 anos.
Após o crime, o homem tentou tirar a própria vida. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Regional, onde permanece em estado grave.
Segundo a Polícia Militar, o casal havia se separado recentemente e a vítima teria ido até a casa do suspeito, momento em que ocorreu a discussão.
Ainda de acordo com a PM, há um registro antigo de violência doméstica envolvendo o casal, no ano de 2014, mas não havia medida protetiva em vigor.
Na tarde de quinta-feira, poucas horas após o registro da nona vítima de feminicídio do Estado, a defensora pública Rosana Leite, coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem), reforçou a urgência do debate permanente sobre violência contra a mulher. Segundo ela, apesar de existirem normas importantes de direitos humanos e da Lei Maria da Penha, a aplicação ainda é desigual, e a rede de proteção precisa de estruturação e comprometimento institucional. “Falar sobre violência de gênero deve ser uma obrigação diária da sociedade. Momentos como este, no Parlamento estadual, são essenciais para garantir conhecimento e direitos às mulheres”, afirmou em audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT).
Números alarmantes
Dados atualizados do Instituto Caliandra, vinculado ao Ministério Público do Estado, revelam que a violência letal contra mulheres é persistente em Mato Grosso. Entre 2019 e 2025, foram registrados 338 feminicídios no estado, com média anual de cerca de 48 mortes motivadas pela condição de gênero. Em 2026, até os primeiros meses do ano, quatro novos casos já haviam sido computados, elevando o total para 342 ocorrências. Os dados indicam que 65% dos crimes ocorreram na residência da vítima ou do agressor e que 71% dos casos tiveram parceiros íntimos como autores, reforçando o caráter doméstico da violência. Esses números evidenciam os desafios na prevenção e na atuação.


