A quantidade de riqueza não tributada escondida no exterior, em paraísos fiscais, pelo 0,1% mais rico supera toda a riqueza da metade mais pobre da humanidade, que corresponde a 4,1 bilhões de pessoas. A conclusão é da Oxfam, com base em análise divulgada no contexto dos dez anos do escândalo conhecido como Panama Papers, em 31 de março deste ano.
Na época, uma investigação internacional revelou a atuação da indústria de empresas offshore, estruturas que podem ser utilizadas para ocultar patrimônio e dificultar a identificação dos verdadeiros proprietários. Milhões de documentos vazados foram analisados por centenas de jornalistas de diversos países.
Segundo a Oxfam, cerca de US$ 3,55 trilhões em riqueza não tributada estavam escondidos em paraísos fiscais e contas não declaradas em 2024. O valor supera o Produto Interno Bruto (PIB) de países como a França e é mais que o dobro do PIB combinado dos 44 países menos desenvolvidos do mundo.
Desse total, aproximadamente 80% estão concentrados nas mãos do 0,1% mais rico, o que equivale a cerca de US$ 2,84 trilhões. Mesmo uma década após o escândalo, os super-ricos continuam utilizando estruturas offshore para reduzir a carga tributária e ocultar ativos.
Em nota, o coordenador de Tributação da Oxfam Internacional, Christian Hallum, afirmou que o caso revelou um sistema que permite a movimentação de grandes fortunas fora do alcance da fiscalização. Segundo ele, o cenário pouco mudou ao longo dos anos.
A organização defende a necessidade de uma ação internacional coordenada para tributar grandes fortunas e combater o uso de paraísos fiscais. Para a Oxfam, a prática contribui para o aumento da desigualdade social e compromete o financiamento de serviços públicos essenciais.
Ainda conforme o levantamento, a riqueza offshore não tributada permanece elevada, representando cerca de 3,2% do PIB global. Apesar de avanços recentes, a redução desse montante tem ocorrido de forma desigual entre os países, especialmente com menor participação das nações do Sul Global em mecanismos internacionais de troca de informações.
A diretora executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago, destacou que o cenário reforça a necessidade de reformas no sistema tributário global, com foco na taxação de grandes fortunas como forma de promover maior justiça fiscal.


