“BRASIL QUE PRODUZ”
Sucessão familiar é um dos maiores desafios da pecuária brasileira, aponta especialista
Muvuca Popular
Um dos maiores desafios da pecuária brasileira hoje não está apenas na produção, mas na continuidade dos negócios dentro das próprias famílias. A sucessão familiar segue como um ponto sensível no campo, exigindo cada vez mais preparo, gestão e visão de futuro. É o que aponta o zootecnista e consultor Maurício Piona, sócio da Silveira Consultoria, que tem percorrido propriedades rurais em diferentes regiões do país ao lado da equipe da série documental Brasil que Produz.
Segundo ele, a diferença entre uma sucessão bem conduzida e outra fragilizada está diretamente ligada ao nível de gestão do negócio. “É preciso entender onde o negócio está e qual é a sua capacidade real de gerar resultado. Hoje, muitos pecuaristas ainda não têm esses números para tomada de decisão. E sem isso, fica difícil trazer a família para dentro do negócio com segurança. Às vezes, não é nem falta de vontade que falta, mas é a falta de informação. O produtor não sabe qual é a capacidade de remuneração do negócio, não sabe se consegue estruturar a família ali dentro. Isso gera insegurança, trava decisões e dificulta a sucessão”, completa.
Outro ponto recorrente observado no campo, segundo o consultor, é a dificuldade de conduzir esse processo ao longo do tempo. “A sucessão não pode acontecer de forma abrupta. Ela não é substituição. Ela precisa ser construída em paralelo, com quem está hoje na liderança preparando quem vem depois, entendendo o que está sendo feito, por que está sendo feito e para onde o negócio vai”, pontua.
Se do ponto de vista técnico a sucessão exige estrutura, na prática ela também passa por conflitos internos, dúvidas e construção de espaço dentro do próprio negócio.
A produtora rural Nathalia Martins, da Fazenda Camparino, viveu esse processo dentro da família, advogada que encontrou seu propósito na sucessão familiar. Mesmo tendo crescido em um ambiente onde a pecuária sempre foi a principal fonte de renda, ela demorou a se enxergar dentro da atividade.
“Eu gostava da fazenda, mas não me via trabalhando lá. Achava que não tinha espaço para mim. Ao mesmo tempo, existia um conflito interno muito grande, porque eu sentia que aquele era o meu lugar, mas tinha seguido outro caminho”, relata.
A mudança aconteceu quando passou a entender seu papel de forma mais estratégica dentro da propriedade. “Quando comecei a enxergar que poderia contribuir como uma cabeça pensante, com uma visão mais empresarial, virou uma chave. Eu entendi que tinha espaço ali e que podia agregar de verdade”, afirma.
A experiência dela reflete um dos principais pontos observados por especialistas: a sucessão não depende apenas de preparo técnico, mas também de construção de pertencimento e de espaço para atuação. A história completa está no episódio desta semana da série documental Brasil que Produz, onde o tema central é o equilíbrio delicado entre o legado de seis gerações e a modernização da gestão financeira e de comunicação no melhoramento genético.
A SÉRIE – A proposta é revelar o que não aparece nos números: os bastidores da gestão, os desafios das famílias, a tomada de decisão no campo e a construção de legado ao longo das gerações. Criada e apresentada pelo engenheiro agrônomo Paulo Ozaki e pelo diretor comercial da ScadiAgro, Gabriel Martins, a série tem episódios semanais, exibidos às terças-feiras, às 18h, no YouTube, no canal oficial da produção.
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Site: www.brasilqueproduz.com.br
Instagram: @brqueproduz


