POR R$ 150 MIL
Após operação que apura ‘venda de influência’, assessora de desembargador é exonerada
Muvuca Popular
A assessora jurídica do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Mhayra Alves Pacheco Abes, foi exonerada do gabinete do desembargador Juvenal Pereira da Silva após ser apontada como uma das investigadas na Operação Falsa Vantagem, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (25). A informação foi confirmada pelo próprio Judiciário em nota oficial. O salário mensal era de cerca de R$ 12 mil.
Segundo o comunicado, tão logo tomou conhecimento da investigação e da possível participação da servidora nos fatos apurados, o desembargador determinou sua imediata exoneração do cargo comissionado.
“O magistrado esclarece que não possuía qualquer conhecimento prévio dos fatos investigados e reitera sua confiança no trabalho das autoridades responsáveis pela apuração do caso”, informou o TJMT.
A Operação Falsa Vantagem investiga um suposto esquema de influência em decisões judiciais mediante pagamento de vantagens financeiras. Entre os alvos estão a ex-assessora do Tribunal e o advogado Ademir Rosa Gomes.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo é suspeito de praticar crimes de extorsão, exploração de prestígio, estelionato, corrupção e organização criminosa.
As investigações apontam que familiares de uma pessoa condenada pela Justiça teriam sido procurados por integrantes do grupo, que prometeram anular a sentença mediante o pagamento de R$ 150 mil em espécie. Conforme os investigadores, os suspeitos alegavam possuir influência suficiente para obter uma decisão favorável junto ao Poder Judiciário.
A Polícia Civil sustenta que o valor teria sido exigido em dinheiro vivo para dificultar o rastreamento da transação financeira. No entanto, o resultado obtido teria sido apenas uma redução da pena do condenado, e não a anulação da condenação, conforme prometido.
Insatisfeito com o desfecho do caso, o beneficiário teria passado a exigir a devolução do valor pago, fato que também passou a integrar a investigação.
Em nota, o Tribunal de Justiça afirmou que ainda não foi oficialmente notificado sobre a operação e que tomou conhecimento dos fatos por meio da imprensa. A instituição ressaltou ainda que está à disposição para colaborar com as autoridades competentes e reafirmou seu compromisso com a legalidade, a transparência e a integridade institucional.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias do Polo de Cuiabá e são cumpridas em investigação conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Veja a íntegra da nota:
O Poder Judiciário de Mato Grosso informa que, até o presente momento, não foi oficialmente notificado acerca da operação policial denominada “Falsa Vantagem”, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (25).
A instituição tomou conhecimento dos fatos por meio da divulgação realizada pelos veículos de comunicação.
Tão logo soube da existência das investigações e da possível participação de uma servidora comissionada vinculada ao gabinete do desembargador Juvenal Pereira da Silva, o magistrado determinou sua imediata exoneração do cargo.
O desembargador esclarece que não possuía qualquer conhecimento prévio dos fatos investigados e reitera sua confiança no trabalho das autoridades responsáveis pela apuração do caso.
O Poder Judiciário de Mato Grosso reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética, a transparência e a integridade institucional, colocando-se à disposição para colaborar com as autoridades competentes no que for necessário ao completo esclarecimento dos fatos.
Eventuais responsabilidades serão apuradas pelas instâncias competentes, sempre com observância ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.


