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VIOLÊNCIA RACIAL

Professora da UFMT é alvo de ataques racistas após entrevista sobre desigualdade racial

Nickolly Vilela

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A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) divulgou, nesta sexta-feira (10), uma nota de solidariedade à professora da instituição e secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação (MEC), Zara Figueiredo, após ela ser alvo de ataques racistas nas redes sociais. A universidade classificou as ofensas como uma violação aos direitos humanos e afirmou que ataques contra uma mulher negra em posição de liderança representam também uma tentativa de enfraquecer as políticas de igualdade racial.

Os ataques começaram após a publicação de uma chamada para o programa Sala de Imprensa, do SBT News, exibido no último sábado (4). Na entrevista, Zara participou ao lado das jornalistas Basília Rodrigues e Ester Cauany para discutir o racismo estrutural e as desigualdades raciais no Brasil.

Pouco depois da divulgação do vídeo, a publicação foi tomada por comentários racistas. A maior parte das mensagens mirava os cabelos crespos, a aparência e os traços físicos das três mulheres, reproduzindo estereótipos historicamente utilizados para desumanizar pessoas negras.

Entre os comentários, um usuário escreveu: “Que cabelos penteados ridículos. Cada qual pior. Querendo lacrar a raça. Asco.” Outro publicou: “Parei quando vi os cabelos.” Também houve quem se referisse às entrevistadas apenas como “fezes”, enquanto outra internauta afirmou que elas pareciam um “manequim da casa funerária”. Em outro comentário, um perfil questionou: “Que espécie de alienígenas é isso daí?”

Em vídeo publicado nas redes sociais, a professora afirmou que todos os comentários foram preservados e que os perfis responsáveis pelos ataques já foram identificados. Segundo a secretária, o material foi encaminhado à Polícia Federal para investigação.

Na nota, a UFMT destacou a trajetória de Zara como professora, pesquisadora e gestora pública, ressaltando sua atuação em defesa da educação inclusiva, da igualdade racial e dos direitos humanos.

“Ataques dirigidos a uma mulher negra que ocupa espaço de liderança e atua na formulação de políticas públicas representam não apenas uma agressão individual, mas também uma tentativa de enfraquecer os avanços conquistados na luta por uma sociedade mais equitativa”, afirma um trecho do comunicado.

A universidade também reafirmou seu compromisso com a promoção da equidade, da justiça social e do enfrentamento ao racismo, além de defender que outras instituições públicas se manifestem em apoio à professora e à defesa da igualdade racial.

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