DEFENSORIA PODE SER ACIONADA
Promotor acusa defesa de tentar manipular júri e diz que abandono de plenário “arranha a imagem da Justiça”
Patrícia Neves/ Nickolly Vilella
O promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins classificou como uma estratégia para retardar o julgamento o abandono do plenário pela defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, filho do ex-governador Carlos Bezerra, na manhã desta terça-feira (21). A saída dos advogados levou ao adiamento do Tribunal do Júri que julgaria o empresário pelo assassinato da ex-companheira Thays Machado e do namorado dela, Willian Cesar Moreno, mortos a tiros em janeiro de 2023, em Cuiabá. A nova sessão já foi designada para o dia 31 de julho.
Segundo o promotor, esse tipo de conduta tem se tornado frequente em julgamentos de grande repercussão e busca, na prática, adiar o julgamento para que um novo Conselho de Sentença seja formado.
“Isso tem se tornado um modo frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem intensamente o interesse da coletividade, como é o caso de um feminicídio e de um duplo homicídio. Lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotado”, afirmou.
Para Gahyva, o abandono do plenário extrapola o exercício do direito de defesa e compromete a credibilidade da instituição do Tribunal do Júri.
“Não é o primeiro abandono de plenário, não é a primeira redesignação. Espera-se a nomeação de novos jurados para remarcar o julgamento com o objetivo claro de postergar o processo e, eventualmente, ter acesso a um Conselho de Sentença que possa ser mais favorável. São estratégias lamentáveis, que, ao nosso modo de ver, estão fora da plenitude de defesa e arranham a imagem do Tribunal do Júri”, declarou.
A defesa alegou que não teve acesso integral às provas em tempo suficiente para preparar a atuação no julgamento. O promotor, porém, afirmou que os argumentos já haviam sido analisados pela Justiça e que o mais recente habeas corpus também teve pedido liminar negado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
“As demais matérias já foram apreciadas, estão preclusas e foram levadas aos tribunais superiores. Não havia razão para redesignar o julgamento, não fosse o interesse de retardá-lo por mais algum tempo”, disse.
Gahyva também criticou a estratégia da defesa de divulgar, nas redes sociais, informações relacionadas à vida das vítimas.
“Vi que a defesa publicou matérias dizendo ter encontrado documentos relacionados à imagem das vítimas. Isso não interessa ao processo. A vítima de homicídio é vítima de qualquer maneira. Existem pais, irmãos, filhos e pessoas que vão carregar esse sofrimento pelo resto da vida”, afirmou.
Questionado sobre a expectativa de condenação, o promotor evitou antecipar o resultado, mas ressaltou que as provas produzidas durante a investigação sustentam a acusação.
“O promotor não condena ninguém. Quem responde aos quesitos são os jurados. Mas o próprio réu se condena pela conduta praticada, que, ao nosso modo de ver, não encontra argumentos capazes de afastar as provas produzidas pela Polícia Civil”, concluiu.
O caso


