No próximo dia 28 de julho, o Tribunal do Júri de Cuiabá julgará os policiais militares Antônio Gomes da Silva, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa, denunciados pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto a tiros em dezembro de 2023. Às vésperas da sessão, a Justiça de Mato Grosso retirou o segredo de Justiça da ação penal e determinou que acusação e defesa analisem um novo acervo documental de aproximadamente 10 mil páginas juntado aos autos.
A decisão foi assinada pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar de Cuiabá. O magistrado entendeu que não há mais motivo para manter o processo sob sigilo, já que os documentos que justificaram a restrição de acesso também integram outra ação penal pública, em tramitação na 12ª Vara Criminal da Capital, que apura os mesmos fatos.
Na decisão, o juiz destaca ainda que a proximidade da sessão do Tribunal do Júri reforça o princípio da publicidade dos atos processuais, uma vez que as provas serão apresentadas em plenário ao Conselho de Sentença.
Além de retirar o sigilo, José Mauro Nagib Jorge determinou que o Ministério Público, a assistente de acusação e as defesas dos réus se manifestem sobre o novo conjunto de documentos anexado ao processo. A medida atende ao artigo 479 do Código de Processo Penal, garantindo o contraditório, a ampla defesa e a paridade de armas antes do julgamento.
O crime
Roberto Zampieri foi assassinado na noite de 5 de dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá, logo após deixar o escritório onde trabalhava. O advogado foi atingido por disparos de arma de fogo e morreu no local.
Conforme a denúncia do Ministério Público, Antônio Gomes da Silva é apontado como o autor dos disparos que mataram o advogado, enquanto Hedilerson Fialho Martins Barbosa teria prestado apoio à execução. Já o coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas é acusado de intermediar o homicídio mediante pagamento e promessa de recompensa.
Segundo a acusação, o assassinato foi resultado de uma ação criminosa estruturada em diferentes núcleos, responsáveis pelo planejamento, financiamento, intermediação, execução e apoio logístico ao crime.
O Ministério Público sustenta que o casal Elenice Ballarotti Laurindo e Aníbal Manoel Laurindo teria encomendado a morte de Zampieri em razão de uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Lagoa Azul. O advogado atuava na defesa da parte adversária e, conforme os promotores, sua atuação teria contribuído para expor supostas fraudes documentais relacionadas à propriedade.
A investigação aponta ainda que Caçadini coordenou a logística da execução e recebeu recursos destinados ao crime, enquanto Hedilerson teria feito a ligação entre o militar da reserva e o executor, além de fornecer a arma utilizada no homicídio. Outros investigados também respondem à ação penal por suposto apoio operacional e financeiro à execução do assassinato.
Com a retirada do segredo de Justiça, o processo passa a tramitar publicamente, permitindo acesso aos documentos que serão analisados durante a sessão do Tribunal do Júri marcada para 28 de julho.


