JÚRI SOB RISCO
Defesa de Carlinhos admite deixar plenário novamente durante julgamento
Nickolly Vilela
O advogado Elson Marcelino da Silva Júnior, responsável pela defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos, admitiu, durante coletiva concedida na manhã desta quinta-feira (30), que poderá deixar novamente o plenário caso entenda que não existem condições jurídicas para a realização do Tribunal do Júri.
O julgamento está marcado para esta sexta-feira (31), mas a defesa ainda aguarda a análise de recursos apresentados ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Questionado diretamente se havia possibilidade de abandonar novamente a sessão, Elson respondeu de forma objetiva. “Tem chance, sim”, declarou.
Apesar de usar o termo “abandono”, o advogado afirmou que uma eventual retirada do plenário não significaria desistência da defesa. Segundo ele, a medida seria adotada caso os pedidos apresentados não fossem analisados ou se permanecessem as alegadas violações aos direitos do réu.
“Quando falam em abandono de plenário, parece que nós estamos desistindo da causa. Desde o início, o que temos falado é que não existe tempo suficiente para o preparo e que estão ocorrendo arbitrariedades e ilegalidades”, afirmou.
O advogado também disse não saber como a Defensoria Pública deverá agir caso a defesa constituída decida não permanecer no julgamento. A instituição foi intimada para atuar de forma subsidiária, mas também recorreu da decisão e alegou não possuir tempo hábil para analisar todo o processo.
“Eu nunca tive uma situação como essa, principalmente com a Defensoria sendo intimada para estar no plenário e assumir o processo sem tempo suficiente. Agora, eu não sei como ficará caso a Defensoria também deixe o julgamento”, declarou.
Segundo Elson, a Defensoria Pública teve acesso ao processo no dia 21 de julho e sustentou que dez dias não seriam suficientes para estudar os autos e preparar a defesa. O pedido para suspender a intimação, porém, teve a liminar negada.
A defesa de Carlinhos também afirma que ainda não teve acesso integral às gravações e decisões proferidas durante a primeira tentativa de julgamento. Para o advogado, a ausência desse material impede a elaboração adequada de recursos e configura cerceamento de defesa.
Elson explicou que a intenção dos recursos é suspender o andamento do processo até que todas as medidas sejam julgadas. Caso as decisões determinem a realização do júri, ele afirmou que a ordem será cumprida.
“Determinação judicial a gente cumpre. Se a determinação for para fazer o júri, faremos o júri. Depois teremos os recursos cabíveis para buscar a anulação, caso as ilegalidades sejam mantidas”, disse.
Carlinhos será julgado pelas mortes de Thays Machado e William César Moreno. A primeira sessão do Tribunal do Júri foi interrompida após a defesa deixar o plenário, alegando falta de condições para prosseguir com o julgamento.



