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A epidemia da ansiedade e a hipnoterapia como contenção

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A epidemia da ansiedade e a hipnoterapia como contenção

Eduardo Rene Trigo*

Dados coletados por pesquisas e estudos científicos se somam e nos mostram que o Brasil, líder global de transtornos de ansiedade, vive uma epidemia silenciosa desse distúrbio mental. O transtorno acomete pessoas desde seus primeiros anos de vida e as acompanham até a fase adulta, trazendo impactos em casa e também no ambiente de trabalho.

Uma recente pesquisa publicada no prestigiado periódico científico The Lancet Regional Health – Americas, com dados do estudo GBD 2023 (Global Burden of Disease, ou Estudo da Carga Global de Doenças), revelou que mais de 15 milhões de crianças, adolescentes e jovens adultos brasileiros de 5 a 29 anos convivem com pelo menos um transtorno mental, ou seja, mais de 20% de toda a população nessa faixa etária no país. O estudo alerta para o fato de que uma criança brasileira já tem mais chance de conviver com algum grau de incapacidade causada por ansiedade do que por qualquer doença física antes mesmo de completar dez anos, o que retrata a situação a qual nos encontramos.

A ansiedade, junto com a depressão, foram responsáveis por grande parte dos afastamentos no trabalho em 2025 no país, ficando atrás apenas de doenças da coluna, reforçando os estragos causados por essa epidemia.

Se aprendemos que uma das formas de combate de uma epidemia é por meio de desenvolvimento de imunizantes e combinações de tratamentos, para a epidemia de ansiedade, um dos procedimentos terapêuticos que tem se mostrado mais eficaz é a hipnoterapia. A hipnose clínica, ano após ano, consolida-se como um recurso poderoso no manejo da ansiedade.

Ao contrário do mito popular que associa a hipnose à perda de controle, a hipnoterapia é um estado focalizado de atenção e relaxamento induzido, no qual a mente consciente reduz a hipervigilância habitual. Esse estado de “transe terapêutico” permite um acesso mais direto ao subconsciente, onde estão consolidados padrões emocionais, gatilhos de estresse e fobias. É ali que também habita a ansiedade.

Para o paciente ansioso, cujo sistema nervoso opera em constante estado de “luta ou fuga”, a hipnoterapia atua tanto no manejo fisiológico, uma vez que o relaxamento ajuda a reduzir os níveis de cortisol e a frequência cardíaca, o que interrompe o ciclo de crises físicas da ansiedade, quanto na ressignificação cognitiva e emocional, com a compreensão e reestruturação de crenças limitantes, eventos traumatizantes ou padrões de pensamento catastróficos que alimentam o estado ansioso contínuo.

A técnica tem chancela da ciência, uma vez que diversos estudos de neuroimagem demonstram que, durante a indução hipnótica, de fato há alterações funcionais no córtex cingulado anterior e no córtex pré-frontal, áreas responsáveis pelo processamento emocional e pela regulação da atenção. Não sem razão, a hipnoterapia é reconhecida por diversos órgãos reguladores nacionais e faz parte do rol das Práticas Integrativas e Complementares (PICS) do Sistema Único de Saúde (SUS).

O reconhecimento da hipnoterapia como opção eficaz de tratamento para a ansiedade também tem acontecido por parte da população, sinalizada com o aumento da demanda por tratamentos, fazendo com que o mercado de terapias complementares experencie uma expansão sem precedentes no Brasil. E é justamente nesse nicho pujante que muitos profissionais da saúde têm mirado.

A oportunidade, contudo, só é bem aproveitada para quem está preparado para agarrá-la. O aprendizado sobre hipnoterapia não é trivial e todo o profundo conhecimento dessa área demanda formações especializadas e de locais que tenham a expertise para capacitar com foco em excelência clínica, trabalhando alguns pilares de formação essenciais, como o domínio de psicopatologias e neurobiologias, a prática ética, a compreensão linguística e sugestionabilidade, além do manejo e gerenciamento de respostas emocionais que possam emergir durante o processo terapêutico.

Esse é um ponto sensível. Como a hipnoterapia interage diretamente com as vulnerabilidades emocionais do indivíduo, a atuação sem o devido embasamento técnico e ético pode gerar riscos, como a retraumatização do paciente ou o diagnóstico inadequado de quadros psiquiátricos graves. Isso só reforça a importância da boa escolha do centro de formação para a hipnoterapia.

O cenário brasileiro de saúde mental representa um desafio de saúde pública, mas também abre um espaço profissional legítimo para terapeutas, psicólogos, médicos e outros profissionais que buscam se diferenciar com o conhecimento da hipnoterapia. Vivemos um nicho altamente receptivo, com pacientes que buscam intervenções focadas em soluções, com menor tempo de duração e resultados mensuráveis na qualidade de vida.

A hipnoterapia tem todos os recursos para ser a grande vacina dessa epidemia de ansiedade. O profissional que unir fundamentação científica, formação sólida e postura ética será protagonista, desempenhando papel crucial no combate dessa que representa uma das maiores crises de saúde mental do século XXI.

*Eduardo Rene Trigo, diretor do ACT Institute, centro especializado em formação em hipnoterapia

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