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MOSTRA ILUMINARE

Do descarte ao design: Obra Solidária transforma materiais de construção em peças únicas

Muvuca Popular

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Materiais que deixaram de ter utilidade em obras, lojas e projetos ganharam uma nova finalidade por meio do design. A transformação foi apresentada ao público na última quarta-feira (12), durante o lançamento da Obra Solidária Casa, realizado na Mostra Iluminare, em Sinop. A iniciativa cria peças exclusivas a partir de materiais excedentes e disponibiliza os objetos para comercialização, gerando uma nova fonte de recursos para a manutenção da Obra Solidária, projeto social que atua há oito anos no atendimento a famílias.

O encontro reuniu empresários, profissionais da arquitetura, design e construção civil, além de convidados, e apresentou na prática como materiais que poderiam perder seu valor após o uso original podem ser transformados em novos objetos. Entre os exemplos está um registro de banheiro que ganhou a função de cabideiro.

A proposta da Obra Solidária Casa parte do reaproveitamento e da criatividade: em vez de descartar um material porque ele já não cumpre a função para a qual foi produzido, o projeto busca identificar novas possibilidades de uso e transformá-lo em uma peça de design.

Para Maria Carolina Barreto, uma das responsáveis pela Obra Solidária, a iniciativa nasceu da percepção de que a sustentabilidade ambiental poderia estar diretamente ligada à responsabilidade social.

“A gente viu a oportunidade de não só trabalhar a questão ambiental, mas trabalhar o lado social também. Todo aquele material que era jogado fora, que muitas vezes era descartado no meio ambiente, poderia ser útil para algumas famílias que precisavam.”

Do material excedente à peça única

A comercialização dos objetos cria uma nova possibilidade de participação no projeto. Pessoas que não possuem materiais para doar ou não conseguem atuar como voluntárias também podem contribuir adquirindo as peças produzidas pela Obra Solidária Casa. Os recursos obtidos ajudam a manter as atividades do projeto social.

A ideia também propõe uma mudança na forma de enxergar o consumo. Segundo Maria Carolina, o modelo tradicional parte da compra, utilização e descarte dos produtos. A Obra Solidária busca interromper esse ciclo e encontrar novas funções para materiais que ainda possuem potencial.

“Hoje a gente pensa a questão do consumo de uma maneira linear: nós compramos, consumimos e jogamos fora. A proposta da Obra Solidária é pensar um pouco diferente, é ter esses produtos em mãos e, ao invés de jogar fora, dar um novo uso.”

O processo criativo começa justamente nessa mudança de olhar. Para Cristine Morello Werlang, da Madeirismo Brasil, e que participou do desenvolvimento de algumas peças ao lado da mãe, Lenice Morello Werlang, cada material recebido apresenta um novo desafio. “É olhar para aquele material e tentar imaginar um novo uso.”, afirma.

A disponibilidade e as características de cada material também fazem com que as peças tenham identidade própria. Em vez de uma produção padronizada, os objetos são desenvolvidos de acordo com aquilo que chega ao projeto e com as possibilidades encontradas durante o processo de criação.

Cristine também chama atenção para o aproveitamento da madeira, considerando o longo período necessário para sua produção.

“Uma árvore demora de 30 a 35 anos para ficar pronta para ser colhida no manejo. É nosso dever aproveitar todos os pedacinhos e fazer o melhor que a gente consegue com aquela árvore, para honrar a história daquela árvore.”

Para Ricardo Muller, da Casa Gale, a participação das empresas é fundamental para que materiais que ainda podem ser aproveitados encontrem um novo destino. A empresa contribui com amostras e produtos que deixaram de integrar determinadas linhas e que podem ser utilizados na criação das peças.

“É muito importante a gente ter esse olhar para essa conexão que o projeto da Obra Solidária tem de poder fazer a conexão entre pessoas que precisam do material, com empresas e pessoas que têm materiais que muitas vezes iriam ser descartados.”

Além do reaproveitamento, Ricardo destaca o caráter singular dos produtos. “Cada peça é especial. Nenhuma peça é igual à outra. Uma pessoa vai poder adquirir uma peça da Obra Solidária, uma peça que é especial, que não existe uma igual, e, ao mesmo tempo, estará ajudando um projeto tão especial.”

O lançamento da Obra Solidária Casa aconteceu dentro da Mostra Iluminare, que mantém uma parceria de longa data com o projeto. Ao abrir espaço para a apresentação da iniciativa, a Mostra amplia a programação da Casa Iluminare para uma discussão que dialoga diretamente com os setores representados no evento: o uso consciente de materiais, a criatividade e a responsabilidade social.

A parceria também aproxima empresas e profissionais que estão diretamente envolvidos no ciclo de construção e transformação dos espaços. Arquitetos, engenheiros e empresas do setor podem identificar materiais excedentes nas obras e orientar seus clientes sobre a possibilidade de destiná-los ao projeto.

Segundo Maria Carolina, essa participação é importante porque esses profissionais estão na linha de frente das obras e acompanham de perto os materiais que deixam de ser utilizados.

A iniciativa também contempla empresas que passam por reformas ou mudanças de showroom e ficam com materiais que não serão mais utilizados. A destinação desses itens à Obra Solidária cria uma alternativa ao descarte e permite que eles sejam reinseridos em outro ciclo de utilização.

Uma nova possibilidade de contribuir

A Obra Solidária atua há oito anos conectando materiais provenientes de obras a famílias que necessitam de recursos para melhorar suas condições de moradia. A criação da Obra Solidária Casa acrescenta uma nova possibilidade de financiamento ao projeto: transformar materiais excedentes em produtos que podem ser adquiridos pelo público e, dessa forma, contribuir para a continuidade da iniciativa.

A proposta apresentada na Mostra Iluminare coloca o design no centro desse processo não apenas como elemento estético, mas como ferramenta para encontrar novas funções para aquilo que já existe.

Um registro de banheiro pode virar um cabideiro. Um material que perdeu sua função original pode se transformar em um novo objeto. E uma peça criada a partir desse processo pode, além de ocupar um espaço dentro de uma casa, ajudar a manter uma iniciativa que atua para melhorar a vida de outras famílias.

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