VÍCIO NO 'TIGRINHO'
PC suspeita que ex-funcionária desviou R$ 100 mil para quitar dívidas de jogos
Gustavo Castro
Arielly Katerine dos Santos, de 31 anos, investigada por desviar pagamentos de pacientes de uma clínica odontológica de Cuiabá, acumulava dívidas relacionadas a jogos de azar, incluindo o chamado “Tigrinho”, segundo o delegado Hugo Abdon Lima. A mulher confessou os crimes e relatou dificuldades financeiras durante a investigação, conforme afirmou o delegado em entrevista ao programa SBT Comunidade.
Arielly é alvo da Operação Falso Sorriso, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (20), com três ordens judiciais de busca e apreensão e afastamento do sigilo de dados telemáticos. Segundo a investigação, ela usava o acesso ao sistema financeiro da clínica para cobrar pacientes por meio de Pix, links de pagamento, QR Codes e máquinas de cartão vinculados às próprias contas.
“Ela confessou o crime perante nós lá. Ela falou que estava com dificuldade financeira, provavelmente dívida oriunda de jogos de azar”, afirmou Hugo Abdon.
De acordo com o delegado, a confissão envolveu tanto o desvio de dinheiro da empresa quanto golpes aplicados contra pacientes. Até o momento, mais de 15 possíveis vítimas foram identificadas.
A investigação aponta que Arielly aproveitava a confiança dos pacientes e o acesso aos sistemas da clínica para receber pagamentos diretamente em contas sob seu controle. Para esconder os desvios, ela teria alterado os registros internos, fazendo com que os pacientes aparecessem como inadimplentes regularizados.
Com isso, os tratamentos continuavam normalmente, mesmo sem que os valores pagos fossem destinados ao caixa da empresa.
O esquema veio à tona depois que uma paciente informou aos proprietários da clínica que havia feito um Pix diretamente para a conta pessoal da funcionária. A partir da denúncia, outros casos semelhantes foram identificados.
Os contratos envolvidos inicialmente somavam mais de R$ 50 mil, mas o prejuízo total pode ultrapassar R$ 100 mil, considerando também tratamentos realizados sem que o pagamento correspondente chegasse à clínica.
Golpes continuaram após demissão
Mesmo depois de ser demitida por justa causa, Arielly teria continuado a procurar pacientes, se apresentando como funcionária da clínica e realizando novas cobranças em nome do estabelecimento.
Durante a operação, os policiais buscam apreender celulares, computadores, máquinas de cartão, documentos e outros materiais que possam ajudar a identificar novas vítimas e dimensionar o prejuízo.
A investigada pode responder por furto qualificado mediante fraude, furto qualificado pelo abuso de confiança e estelionato, além de outros crimes que possam ser identificados no decorrer da apuração.
Relação com jogos
Durante a entrevista, Hugo Abdon afirmou que a Derf tem identificado casos em que pessoas envolvidas com jogos de azar passam a cometer crimes para sustentar o vício ou quitar dívidas.
Segundo ele, o padrão é semelhante ao observado entre usuários de drogas que praticam crimes para manter o consumo.
“Também temos aqueles que são viciados em jogos de azar, que é muito comparável a drogas ilícitas também”, afirmou.
O delegado disse ainda que muitos dos investigados chegam a acumular dívidas e, diante da necessidade de quitá-las, acabam recorrendo a práticas criminosas.
“Para manter o vício em jogos de azar e também para cumprir com suas dívidas, porque a grande e esmagadora maioria deles são endividados, eles praticam esses atos ilícitos”, completou.
Veja:



