QUERIA FAZER O MARIDO SOFRER
Nora recebeu oração da sogra minutos antes de ser morta; defesa pede exame de insanidade mental
Patrícia Neves
A mulher presa em flagrante por matar a sogra, Maria Aparecida da Silva, de 53 anos, confessou à polícia que planejou o crime para fazer o filho da vítima sofrer e, durante o luto, convencê-lo a permanecer no relacionamento. Apesar da motivação descrita no interrogatório, a Defensoria Pública pediu à Justiça que Alessandra do Nascimento Gonçalves, de 29 anos, seja submetida a um exame de insanidade mental. Em depoimento à Polícia Civil, a mulher, chorando, disse que a sogra havia lhe mandado uma oração momentos antes de ser assassinada.
O crime ocorreu na manhã de sábado (22), em Confresa. Alessandra foi presa em flagrante no mesmo dia e teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada no domingo (23).
Em interrogatório prestado à Polícia Civil, Alessandra detalhou desde a motivação até a execução do crime. Segundo o depoimento, o companheiro dela, Luiz Carlos, filho de Maria Aparecida, havia anunciado que deixaria a residência do casal no fim de semana.
Na noite anterior ao assassinato, os dois teriam discutido. Alessandra contou que chorou e ouviu do companheiro que ele lhe daria “um motivo maior para chorar”. Com medo de ser abandonada, ela afirmou que começou a cogitar matar a mãe dele.
De acordo com o interrogatório, a suspeita pretendia cometer o crime sem ser descoberta e provocar intenso sofrimento em Luiz Carlos. Como os irmãos dele não moravam em Confresa, Alessandra acreditava que poderia apoiá-lo durante o luto e se apresentar como a única pessoa ao lado dele naquele momento.
Ainda conforme o depoimento, ela esperava que o companheiro desistisse de deixar a cidade e permanecesse definitivamente no relacionamento.
“Ele iria ver que a interrogada era a única pessoa que estava ao lado, até no pior sofrimento da vida dele”, consta no termo policial. Alessandra também declarou acreditar que, dessa forma, Luiz Carlos “iria ficar com a interrogada para sempre”.
Alessandra afirmou que acordou atrasada e não conseguiu ir ao trabalho na manhã de sábado. Mesmo assim, continuou pensando em matar a sogra.
Por volta das 6h, a suspeita teria fumado um cigarro, pegado um pedaço de madeira e seguido até a residência de Maria Aparecida. Como possuía uma chave do portão, conseguiu entrar no imóvel e ficou sentada na área dos fundos, esperando a vítima acordar.
Quando Maria Aparecida chegou aos fundos da casa e percebeu a presença da nora, teria se assustado e gritado por socorro. Alessandra declarou que também se assustou e atingiu a sogra com uma paulada na cabeça.
A vítima caiu e começou a sangrar. Conforme o interrogatório, Alessandra temeu ser reconhecida e desferiu um segundo golpe na nuca de Maria Aparecida.
Em seguida, a suspeita teria encontrado um fio de extensão sobre o tanque, amarrado o objeto ao pescoço da vítima e puxado para estrangulá-la. Ela declarou que usou o fio para se certificar de que a sogra estava morta.
Após o crime, Alessandra afirmou que se desesperou, arrependeu-se e deitou sobre o corpo da vítima. Segundo o depoimento, esse seria o motivo de ela estar suja de sangue quando foi encontrada.
A decisão judicial registra que a suspeita foi localizada no imóvel ao lado do corpo e portava um pedaço de madeira. Maria Aparecida apresentava ferimentos na cabeça e estava com um fio elétrico amarrado ao pescoço.
Ao determinar a prisão preventiva, o juiz considerou que o crime teria sido planejado e executado com diferentes meios. Para a Justiça, a utilização da morte da vítima como instrumento de manipulação emocional do companheiro, caso confirmada, reforça a gravidade da acusação.
Após a prisão preventiva, a Defensoria Pública pediu a instauração de um incidente de insanidade mental e a realização de exame médico-legal em Alessandra.
A defesa alegou que a motivação relatada no interrogatório, a gravidade do crime e o comportamento posterior da investigada precisam ser analisados por profissionais especializados.
O exame deverá verificar a condição mental de Alessandra na época do crime, além da capacidade atual dela para compreender a acusação e participar conscientemente dos atos do processo.
O pedido também cita depoimentos que fazem referência a consultas anteriores da suspeita com psicólogo e psiquiatra. Testemunhas ainda teriam relatado comportamento instável, incluindo episódios de quebra de objetos dentro de casa.
A Defensoria ressaltou que as informações não constituem diagnóstico nem permitem concluir antecipadamente que Alessandra seja inimputável ou tenha capacidade penal reduzida. Segundo o órgão, os elementos justificam apenas uma avaliação técnica.
Durante a audiência de custódia, o formulário judicial registrou que não havia sinais aparentes de transtorno mental. A defesa, entretanto, argumentou que essa observação não substitui uma perícia psiquiátrica destinada a avaliar a condição da suspeita no momento do crime.
O pedido de instauração do incidente ainda será analisado pela Justiça.



