CRISE
Abilio diz que punição a Cláudio não é censura e chama eleição de “bagunça”
Gustavo Castro e Renato Ferreira
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), minimizou a decisão do diretório estadual do Partido Liberal de retirar o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), da presidência municipal da sigla após ele declarar apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Para Abilio, a reação do partido já havia sido comunicada anteriormente aos prefeitos e uma eventual expulsão não poderia ser considerada censura.
Cláudio declarou apoio a Pivetta durante um evento político realizado na noite de quinta-feira (27), em Rondonópolis (218 km de Cuiabá), contrariando o projeto do próprio PL, que lançou o senador Wellington Fagundes como candidato ao governo de Mato Grosso. Na sexta-feira (28), o presidente estadual da legenda, Ananias Filho, anunciou a retirada do prefeito do comando do diretório municipal e cobrou que ele deixe o partido, sob possibilidade de expulsão.
Questionado sobre a medida, Abilio afirmou que a direção do PL já havia informado aos prefeitos sobre a posição da legenda em relação à eleição estadual.
“Eu acho que não é nada demais. Eu acredito que é uma situação que o próprio partido já tinha comunicado a todos os prefeitos”, afirmou nessa sexta-feira.
Segundo o prefeito, cada integrante da legenda adotou uma postura diferente diante da orientação partidária. Ele citou como exemplo o prefeito de Campo Novo do Parecis, Edilson Piaia, que teria optado por deixar a legenda antes de manifestar apoio político, enquanto outros prefeitos preferiram não declarar publicamente seus posicionamentos.
“Alguns pediram para sair com antecedência, que é o caso do Piaia lá em Campo Novo do Parecis; outros optaram por não se manifestar, como eu não tenho manifestado por questão de política, e outros optaram por sair. A forma com que a pessoa pede para sair ou se manifesta é diferente, cada um do seu jeito”, disse.
“Não é censura”
Ao ser questionado se uma eventual expulsão de Cláudio poderia representar uma forma de censura, Abilio negou.
“Não, de modo algum”, respondeu.
Na avaliação do prefeito, a existência de divergências entre filiados e as decisões tomadas pelos partidos fazem parte do processo eleitoral.
“Imagina alguém que esteja num outro partido manifestando… Mas é que essa eleição está uma bagunça, né?”, afirmou.
Abilio citou como exemplo integrantes de outras siglas que, segundo ele, também estariam declarando apoio a candidatos diferentes daqueles lançados por seus próprios partidos.
“Se você for ver, aí tem um candidato a deputado estadual do MDB, que uns dois ou três já manifestaram apoio ao governo, e do partido de lá tem gente que também está manifestando para cá. É uma bagunça, isso mesmo, faz parte”, declarou.
Crise no PL
A crise envolvendo Cláudio Ferreira ganhou força após o prefeito subir ao palanque de Pivetta e declarar publicamente que o governador é seu candidato ao Palácio Paiaguás. Na ocasião, Cláudio afirmou saber que poderia sofrer consequências por apoiar um candidato de outra legenda.
“O meu candidato a governador é Otaviano Pivetta. Eu sei que vou pagar o preço, porque ele não faz parte do meu partido”, afirmou o prefeito durante o evento.
A declaração contrariou a orientação do PL, que tem Wellington Fagundes como candidato ao Governo de Mato Grosso. A reação da direção estadual ocorreu poucas horas depois, com a retirada de Cláudio da presidência municipal da sigla.
Apesar da pressão para que deixe o partido, Cláudio permanece formalmente filiado ao PL neste momento. O presidente estadual da legenda, Ananias Filho, afirmou que o prefeito poderá ser expulso caso não opte pela desfiliação voluntária.



